O banquete europeu

A experimentar

Aproximam-se as eleições europeias. Decisivas como nunca, neste tempo de guerras e de desafios para a Europa e o mundo.

Questões como as migrações e o alargamento estarão presentes, enquanto muitos assobiam, para o lado, preocupados com o politicamente correto. Bruxelas representa, também, muito dinheiro na forma de fundos comunitários quando falamos de alargamento. Espera-se que a União Europeia possa passar de 27 Estados-membros para 35 e aguarda-se que a política de defesa e segurança externa entre, de forma institucional, na agenda europeia.

Os tempos trazem assim desafios que se espera que entrem no debate e na campanha eleitoral. 

Em Portugal, discute-se muito pouco Europa e mais a política interna. Há quem diga mesmo que estamos perante uma segunda volta das legislativas. Talvez não seja assim tão redutor.

Os portugueses gostam da Europa e olham para os fundos como um grande banquete europeu esquecendo-se que a Europa significa também empenho e compromisso com a sua agenda. Não estamos a falar da Europa que se transforma numa babel de povos, gentes e culturas. preferimos olhar para a Europa como uma ideia consecutiva de paz e de coesão económica e social.

Estamos longe dos tempos em que a Rússia, depois da queda do muro de Berlim, se apresentava como uma aliada a querer reconciliar-se com a Europa e sem ambições geopolíticas.

Hoje, claramente a Rússia de Putin está longe desta ideia e deseja outras companhias. 

Na frente leste da União Europeia o tempo está cada vez mais incerto e complexo. Esperemos que o banquete europeu não acabe para não termos de ir a recorrer às rações de combate. A Europa não merece isso em pleno século XXI.

 


António Tavares
Professor Universitário de Ciência Política

 

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