Comissão dos Vinhos Verdes recusa travão ao setor admitido pelo Governo

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A presidente da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes (CVRVV), reagiu hoje ao travão que o ministro da Agricultura quer impor no setor do vinho pelo excesso de ‘stock’, recusando que o tema seja analisado transversalmente.

Numa reação por escrito à Lusa, Dora Simões considerou que “a Região Demarcada dos Vinhos Verdes – assim como todas as outras regiões demarcadas em Portugal – beneficiou, nos últimos anos, de uma reconversão das vinhas alicerçada no programa VITIS [programa de apoio à reconversão da vinha], que resultou em maior competitividade de inúmeros produtores, proporcionando-lhes a capacidade de se posicionarem com as suas marcas nos mercados internacionais”.

“Progrediu-se muito graças a este apoio e a questão da destilação de crise não deve ser analisada transversalmente, pois no caso da Região dos Vinhos Verdes, a maioria do vinho produzido é branco e este não apresenta excedentes de mercado”, sublinhou a presidente da comissão.

Em entrevista na segunda-feira ao jornal Público, o ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, referiu que Portugal tem um problema com o ‘stock’ de vinho por escoar e que é preciso “um travão, caso contrário estamos a deitar dinheiro fora”.

Para Dora Simões, um “travão nos apoios à plantação de vinhas” levanta a questão de como tenciona o Ministério da Agricultura “redirecionar as verbas de apoio ao setor do vinho, uma vez que há outras necessidades como a Investigação e Desenvolvimento para combater os efeitos das alterações climáticas ou as doenças da vinha, a gestão regional dos recursos hídricos, assim como a necessidade de investimento na promoção nos mercados externos e a própria alavancagem essencial no mercado interno”.

Neste contexto, a responsável da CVRVV defende que “há muito para fazer pela fileira do vinho e é necessário perceber como é que o ministério tenciona apoiar as regiões demarcadas, que são fator diferenciador e de valorização das marcas dos produtores”.

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