Associação dos Municípios do Vinho quer combater êxodo rural com vitivinicultura

A experimentar

A valorização de produtos algarv

O presidente da Associação dos Municípios Portugueses do Vinho (AMPV) defendeu que a vitivinicultura e o enoturismo podem contribuir para fixar população nas zonas rurais do país e deu os Açores como um exemplo a seguir.

“Nós acreditamos que através da cultura do vinho, que é algo endógeno aos nossos territórios, e através do enoturismo temos a possibilidade de inverter [o êxodo rural], de acrescentar valor a esses territórios, de criar condições para reter quem está nesses meios rurais e inclusive de atrairmos pessoas”, afirmou, em declarações à Lusa, o presidente da AMPV, Luís Encarnação.

O responsável falava, na Praia da Vitória, na ilha Terceira, à margem da sessão de abertura da conferência europeia “Desafios e Potencialidades dos Territórios Rurais”, organizada no âmbito do projeto In Rural Connect.

Até sábado, cerca de quatro dezenas de participantes de Portugal, Espanha, França, Itália e Grécia vão debater as potencialidades e desafios dos territórios rurais, no contexto da promoção e valorização da sua oferta enoturística, passando pelas ilhas Terceira, Faial, Pico e São Jorge.

O presidente da AMPV reconheceu que atrair novos produtores para a cultura da vinha é um desafio, mas disse acreditar que a vitivinicultura e o enoturismo têm potencial em Portugal.

“Quando juntamos o vinho e a gastronomia, um alojamento de grande qualidade, a segurança e a tranquilidade dos nossos territórios, e quando somos capazes de juntar a tudo isso as experiências que nos nossos territórios, sobretudo nos espaços rurais, é possível proporcionar, temos as condições para podermos contribuir para desenvolver esses territórios”, apontou.

Segundo Luís Encarnação, os Açores são um exemplo que “se pode replicar noutros territórios”.

“Achamos que é um território de uma beleza fantástica, no meio do oceano Atlântico, que produz, desde há muitos anos, vinho de grande qualidade, que está em grande expansão. O turismo também está em grande desenvolvimento”, frisou.

O vice-presidente do Governo Regional dos Açores, Artur Lima, sublinhou que área de vinha reestruturada na região quadruplicou e que o número de marcas comerciais nesta área nas ilhas do Pico, Terceira, Graciosa e Santa Maria aumentou de 35 para 70, entre 2020 e 2023.

“Estes são resultados que nos animam e que robustecem as nossas zonas rurais no que à vinha diz respeito, exigindo, no entanto, a continuação de um trabalho de proximidade e de acompanhamento para tornar ainda mais sustentável este setor”, apontou.

Artur Lima lembrou que os Açores perderam 10.300 habitantes entre 2011 e 2021, defendendo a necessidade de fixar população no meio rural.

“O desenvolvimento presente e futuro dos Açores não pode desperdiçar o potencial económico que as suas zonas rurais apresentam. Estes espaços de desenvolvimento são igualmente parceiros no ordenamento do território, na conservação da paisagem, na criação de emprego e na fixação de população”, vincou.

A presidente da Câmara Municipal da Praia da Vitória, concelho onde se situa a zona demarcada dos Biscoitos, defendeu que a ilha Terceira não tem “dimensão para uma produção massiva” de vinho, mas deve apostar na “valorização da singularidade” do seu produto.

Vânia Ferreira considerou essencial que as entidades públicas “continuem a garantir os devidos apoios para que esta cultura continue a consolidar-se como um setor produtivo”, com contributos para a oferta turística.

Já a vereadora Fátima Amorim, do outro concelho da ilha Terceira, Angra do Heroísmo, alegou que é “fundamental que haja investimentos em infraestruturas, capacitação profissional e promoção turística para aproveitar todo o potencial destes territórios rurais”.

“Valorizando e apoiando a viticultura, a gastronomia e o enoturismo, podemos impulsionar o seu desenvolvimento e contribuir para a criação de emprego, para o rendimento das comunidades locais e para a afirmação dos Açores no panorama nacional e internacional”, salientou.

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