Montemor-o-Velho defende medidas supramunicipais para preservar a lampreia

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O presidente da Câmara de Montemor-o-Velho, no distrito de Coimbra, alertou para a necessidade de preservar a lampreia no rio Mondego, com medidas que assegurem a sustentabilidade daquele ciclóstomo, cuja escassez se acentuou este ano.

“O problema da escassez de lampreia tem solução e é preciso tomar medidas urgentes”, disse Emílio Torrão, que falava aos jornalistas na apresentação do 22.º Festival do Arroz e da Lampreia – Sabores do Campo e do Rio, que vai decorrer, naquela vila do Baixo Mondego, no próximo sábado e domingo, prosseguindo na quinta, sexta-feira, sábado e domingo da próxima semana.

Apesar da falta de lampreia, o autarca salientou que a autarquia não admitiu sequer suspender a iniciativa gastronómica, que abrange outros pratos tradicionais com “sabores do campo e do rio”, com destaque para o arroz carolino, as enguias e o sável.

Salientando que o festival ainda vai servir algumas lampreias, o presidente do município de Montemor-o-Velho aconselhou os visitantes a reservar com bastante antecedência e a pedirem pouca quantidade para que “todos possam matar o vício”.

Integrado na iniciativa, realiza-se no dia 22 (sexta-feira) um conselho intermunicipal da Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Coimbra, com a presença do investigador Jorge Raposo, da Universidade de Évora, que vai sensibilizar os autarcas presentes para a necessidade de serem adotadas medidas de proteção à lampreia.

“As medidas a tomar têm de ser supramunicipais e envolver todos os municípios, porque é uma dor de alma efetuarmos um investimento desta natureza e não termos lampreia, quando temos a consciência de que é algo que podemos recuperar”, sublinhou Emílio Torrão.

O autarca, que preside também à CIM Região de Coimbra, adiantou que as medidas podem passar pelo fecho da pesca no rio Mondego durante um ano e pela revisão das artes piscatórias, como já acontece em Espanha.

“Temos de ter consciência ambiental e percebermos que se quisermos preservar o ecossistema temos de o respeitar, pelo que podemos resolver o problema, nomeadamente fechando o rio [Mondego] um ano à pesca da lampreia”, sustentou.

Para justificar a escassez da lampreia que se verifica este ano, o presidente da Câmara de Montemor-o-Velho recuou sete anos, que é o ciclo de vida daquele ciclóstomo, lembrando que a poluição do rio provocada pelos incêndios de 2017 e a remoção de areão e seixos causaram a morte das larvas da desova.

O 22.º Festival do Arroz e da Lampreia – Sabores do Campo e do Rio vai decorrer numa tenda de 4.000 metros quadrados, com uma praça da alimentação com cinco tasquinhas e três petisqueiras, dois palcos, quatro stands de doçaria, seis bares e uma área com 24 bancas de artesanato e produtos endógenos.

Com um orçamento de 110 mil euros, o evento conta com um programa de animação musical, um espaço infantil, iniciativas para todas as idades e visitas ao património agrícola do concelho em comboio turístico.

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