A mesa da campanha

A experimentar

Estamos já a viver a campanha eleitoral para o próximo 10 de março e será natural que a mesma tenha um forte acento na chamada mesa do orçamento de Estado. 

Neste banquete que se assemelha àquelas orgias romanas, onde se come de tudo e de todos, os partidos não deixam de apresentar aos eleitores os seus programas que parecem catálogos de promessas difíceis de cumprir.

Será necessário compreender que Portugal não tem uma capacidade orçamental ilimitada. Integramos a união económica e monetária onde somos obrigados a cumprir um conjunto de apertadas regras e que dívida significa mais impostos.

Ao mesmo tempo, vemos o mundo a viver um constante sobressalto aqui e ali com conflitos que deixam marcas profundas. A guerra entre a Ucrânia e a Rússia já fez dois anos. A guerra entre Israel e o Hamas já vai a caminho do meio ano. 

Ora, estes conflitos impactam nas políticas de negócios estrangeiros e de defesa, além de nos motivarem uma profunda reflexão sobre o nosso comportamento em relação à União Europeia.

Sobre isto sabemos muito pouco do que pensam os partidos concorrentes. Mesmo como vão lidar com as suas contradições, seja à direita ou à esquerda.

Prefere-se usar a mesa da campanha como uma mesa farta onde o orçamento não tem fim e se permite tudo e o seu contrário.

Seria bom não esquecer que o eleitor, quando vai votar, leva consigo também o utilizador de serviços públicos, o contribuinte, o consumidor e o cidadão. Vamos ver qual destes vai preponderar no momento de eleger os seus representantes.

Na minha opinião, espero que seja o cidadão responsável, aquele que compreende que a liberdade implica sempre um sacrifício de ousadia e de prudência e que nisso, tal como na cozinha com o sal e o açúcar, não se deve exagerar.


António Tavares
Professor Universitário de Ciência Política

 

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