A chegada dos Reis Magos

A experimentar

Estamos a chegar ao final da quadra das festas e, naturalmente, o último momento fica para o dia de Reis. Não temos, em Portugal, o hábito de celebrar esta data, pelo menos, com o esplendor dos nossos amigos espanhóis, ainda que se vá fazendo algum tipo de comemoração.

Depois de muita e boa comida e bebida, voltamos ao tempo de ter os pés assentes na terra como aliás nos lembrou, e bem, o nosso Presidente da República.

O ano que agora chegou apresenta-se como imensamente desafiante. São eleições para todos os géneros e feitios, quer em Portugal, quer na Região Autónoma dos Açores, no Parlamento Europeu, nos Estados Unidos ou em Taiwan. Todas vão ter uma implicação na nossa vida quotidiana, independentemente da sua dimensão.

Tal como os Reis Magos, quando foram visitar o Menino Jesus, também as eleições vão trazer-nos o necessário ouro (que significa a realeza) o importante incenso (acreditando com fé) e a inevitável mirra (que nos permite embalsamar os corpos estranhos no sentido de afirmar a imortalidade) que vão, uns mais do que outros, querer oferecer-nos numa dicotomia de divisão entre direita e esquerda, numa leitura maniqueísta entre os bons e os maus.

A vantagem destes Reis Magos parece ser a de aceitar que é possível fazer a quadratura do círculo, confundindo o real com o imaginário, e o desejável com o possível.

O país vai, assim, enfrentar um novo ano, cinquenta anos depois daquela manhã limpa de que falava Sophia, com evidentes riscos mas também com imensas oportunidades.

Esperemos que não seja só o tempo do famoso prato que engloba o bacalhau a pataco como se dizia na I República.  Agora, será o tempo de tudo ser possível para manter as contas certas, investir na escola pública e no SNS, assegurando a segurança social para todos.

No final, vamos ver o que teremos nesta mesa de promessas. Até lá, continuamos a acreditar que o nosso chefe de cozinha, a quem chamamos primeiro-ministro,  saberá encontrar os ingredientes suficientes para nos servir este prato, que se espera não seja de lentilhas, mas que traga antes o perfumado caviar que todos pretendem comer.


António Tavares
Professor Universitário de Ciência Política

 

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