Procura pelos bolos e broas que não podem faltar no Natal madeirense dispara nesta época

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Os dias que antecedem o Natal e a passagem de ano são de grande agitação na Fábrica de Santo António, no Funchal, para fazer face às encomendas de bolos de mel e broas tradicionais, que disparam nesta época do ano.

A empresa, que completou este ano 130 anos de existência, tem registado “a maior procura de sempre” desde que há registos, salientou o administrador Bruno Vieira, em declarações à agência Lusa.

Apesar dos produtos produzidos pela Fábrica de Santo António serem procurados ao longo de todo o ano, na época natalícia a procura, sobretudo pelo bolo de mel de cana da Madeira e pelas broas tradicionais, “dispara”.

“Esta procura mais acentuada no Natal tem a ver com a tradição madeirense ter o bolo de mel, a broa de mel [em casa]. É quase obrigatório”, afirmou.

Mel de cana, farinha, açúcar, sidra cristalizada, noz, amêndoa, passas, cravinho, noz-moscada, banha de porco, manteiga, laranja, soda e especiarias são os ingredientes necessários para fazer o típico bolo de mel, que não pode faltar na mesa de Natal.

O primeiro passo é juntar todos os ingredientes secos para “envolver os frutos secos na farinha”, explicou à Lusa Marcelino Serrão, que trabalha há 25 anos na Fábrica de Santo António.

Depois, é altura de juntar a manteiga, a banha, o sumo de laranja e o mel de cana e amassar o bolo. A massa fica a levedar durante 24 horas e vai a assar no forno durante 50 minutos a 150.ºC, indicou o pasteleiro.

Nesta altura do ano, a fábrica produz, em média, entre 600 a 700 bolos de mel por dia. O forno tem capacidade para cozer 150 bolos de uma só vez.

“A nossa produção é artesanal, não abdicamos disso. O que automatizámos foram alguns processos de embalamento. A nossa aposta é a qualidade e o facto de sermos artesanais também não conseguimos produzir quantidades industriais”, sublinhou o administrador.

Além dos bolos, os produtos mais procurados são as broas de mel, as broas de gengibre, assim como os biscoitos batizados de ‘guilherminas’, em homenagem à responsável por grande parte das receitas adotadas ainda hoje pela Fábrica de Santo António.

Bruno Vieira destacou igualmente duas novidades lançadas este ano: o bolo de mel especial, que já regista maior procura do que o bolo ‘normal’, e uma lata redonda de metal para transportar a iguaria, que neste momento já esgotou.

“O nosso bolo de mel especial é uma receita mais rica no seu global, desde fruta, mel de cana, Vinho Madeira e outros segredos que não podemos revelar”, referiu.

A Fábrica de Santo António surgiu como a primeira unidade fabril de bolachas e biscoitos da região, em 1893, na Travessa do Forno, no Funchal, onde ainda se mantém.

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