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Santa Maria: a ilha entre o céu e o espaço

A experimentar

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Joana foi mãe há uma hora. Ainda tem vestígios do parto. A cria não a larga. E o contrário também é verdade. José Falcão Moura facilita a vida às duas. Tira o leite da mãe e, num biberon gigante, oferece-o à cria, que ainda tem dificuldade em mamar.

Joana é a única vaca de José. “A cria acabou de nascer e não foi batizada, é a minha neta de sete anos que a vai batizar. Com sete anos ela monta uma égua que é uma coisa séria, ela salta para cima de uma cadeira e monta”, conta com um sorriso orgulhoso.

Joana pasta mesmo lado da casa de José, mais conhecido por Falcão, num dos bairros do aeroporto internacional de Santa Maria, onde vive há mais de 50 anos com a mulher. “Isto tinha um parque infantil, tinha piscina para as crianças e tudo. Tinha até uma senhora empregada a tomar conta das crianças, o aeroporto era muito bem organizado”, garante Maria da Conceição Moura. No bairro, ainda se pode ver o escorrega gasto e abandonado, bem como a pequena piscina, onde não é difícil imaginar a vida que teve noutros tempos.

Falcão já está reformado, mas foi jardineiro da ANA décadas a fio. “Vivo aqui por necessidade. Quando fui funcionário do aeroporto devia ter comprado uma casa, mas mas fui-me ‘amanhando’ nesta porque a renda era baratinha. Podia ter concorrido a uma casa de pedra e cal”, conta ao Expresso. Dois dedos de conversa depois, convida-nos a entrar.

A casa onde vive foi construída pelos americanos, nos finais da década de 40 do século passado, quando se instalaram em Santa Maria, depois de terem erguido o aeroporto da ilha em 1946, logo após a Segunda Guerra Mundial. Tem linhas típicas da traça americana, sendo o exterior feito de chapas de ferro, onde a ferrugem escapa por entre a tinta que o tempo esbate. “De inverno a casa é fria, de verão é quente, tá cheia de ferrugens”, lamenta José enquanto nos mostra as diferentes divisões da habitação, envolvida pelo verde das várias árvores e arbustos que plantou. É aqui que cultiva batata, fava e outros vegetais que põe na mesa mas lamenta o que vê, ou não vê, fazer-se por aqui. “Isto está abandonado pelo governo, é uma vergonha estas zonas como estão. A brigada dos jardins, da qual eu fazia parte, tinha oito homens e a gente é que limpava tudo”, conta.

A zona do aeroporto de Santa Maria e a sua envolvente, agora sob a alçada da região, foram classificados como sendo Imóvel de Interesse Público. Estende-se ao longo de vários quilómetros. Cá dentro ergueu-se uma pequena cidade, dentro de uma ilha com cerca de 5 mil habitantes e um único concelho, Vila do Porto.

 

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