Possibilidades de pesca de carapau “suficientes” mas quotas baixas são “desilusão”

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O scretário geral da Associação dos Armadores das Pescas Industriais (ADAPI) disse hoje que as possibilidades de pesca para 2024 são “suficientes” no caso do carapau, mas vê com “desilusão” os valores para as quotas mais baixas.

Portugal assegurou hoje aumentos nas quotas de pesca para 2024 no valor comercial de 23 milhões de euros, com as capturas de pescada a subirem 12% e os cortes no linguado a recuarem para 17%.

“O aumento é agregado. Mais do que a maior parte desse aumento […] é em carapau, onde estamos com mais de 120.000 toneladas de pesca, sendo que Portugal pesca 20 ou 30 [mil toneladas]. Portanto, um aumento de 6.000 é imaterial”, apontou Luís Vicente, em declarações à Lusa.

Para a associação, os números hoje anunciados incorporam “pontos negativos e positivos”, destacando, por exemplo, as quotas de tamboril e areeiro, que subiram menos do que o esperado, “o que ajuda porque são quotas muito baixas”.

Conforme referiu, Portugal tinha uma quota inferior a 100 toneladas no caso do areeiro e no caso do Tamboril abaixo de 700.

“São quotas muito pequenas, que tendiam a fechar durante o ano e isso é sempre negativo”, sublinhou.

No sentido oposto, estão o linguado, que desceu menos do que o previsto, e também o lagostim.

Luís Vicente reiterou que, no caso do carapau, a subida “é mais do que suficiente”, uma vez que está acima do valor que Portugal captura.

“Nas espécies das quotas mais pequenas, as que subiram, subiram bem, enquanto as que desceram são especialmente uma desilusão porque não estão a descer por nada relacionado com o estado do ‘stock’”, acrescentou, precisando que em causa estão margens de precaução, que reduzem as possibilidades de captura.

A ministra da Agricultura, que tutela também as pescas, Maria do Céu Antunes, salientou o “balanço globalmente positivo” para Portugal, com a quota portuguesa hoje negociada a passar das cerca de 126 mil toneladas este ano para mais de 131 mil toneladas em 2024.

Após uma maratona negocial que terminou às 12:00 de Bruxelas (11:00 de Lisboa) e que foi das mais longas da última década, as possibilidades de captura de pescada para as águas nacionais subiram 12%, as de tamboril 7%, de areeiro 8%, de peixe-espada preto 9% e as de carapau 5%.

As negociações entre a UE e a Noruega, fechadas na sexta-feira, já tinham assegurado uma subida de 9% nas capturas de bacalhau.

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