Galette de pêssego e limonete

A experimentar

Assim que passava a pequena cancela de madeira tosca na entrada do quintal, seguia pelo velho carreio de cimento já rachado pelo desgaste, que abria caminho por entre a arruda, a hortelã, a cidreira, o limonete, as couves galegas que nunca faltavam, e sendo Verão as fileiras de tomateiros coração de boi, de feijão verde, de alfaces e de pimenteiros verdes. Logo à entrada havia uma cerejeira e ao fundo do lado esquerdo um pessegueiro que para além de criar sombra no terraço em frente à casa, criava também os melhores pêssegos que comi até hoje. Pequenos mas carnudos e tão saborosos quanto seja possível imaginar.

Este pedaço de terra simples e familiar era parte do meu pequeno universo infantil. O quintal dos meus avós. Um recreio improvisado, onde havia muita brincadeira e também joelhos esmurrados e mãos arranhadas na mesma medida, que só acresciam à reputação de Maria rapaz que eu tinha na altura. E onde eram cultivadas todas aquelas “novidades” cheias de sabor que só anos mais tarde aprendi a apreciar devidamente. Quando percebi que já nada sabia tão bem como antes. Como quando eu era miúda na casa dos meus avós.

Do velho pessegueiro e do quintal que o acolhia há muito que não reza a história. Mas a memória é uma ferramenta poderosa que ao mais pequeno fio de conversa faz emergir todas as sensações lá guardadas.

A minha avó nunca fez galettes. Muito menos sabia do que se tratava. Apenas me deu a comer os melhores pêssegos de sempre. E essa lembrança boa ainda ecoa na minha cozinha.

In English

As soon as I passed the small rough wooden gate at the entrance to the yard, I followed the old cement path already cracked by wear and tear, making its way through rue, mint, lemon balm, verbena, galician cabbage, and being summer the rows of heart of ox tomatoes, of green beans, lettuces and green pepper bushes. At the entrance was a cherry tree, and on the far left side a peach tree that besides creating shade on the terrace in front of the house, also created the best peaches that I have eaten to this day. Small but fleshy and as tasty as you can imagine.

This simple, familiar piece of land was part of my little childhood universe. My grandparents’ yard. An improvised playground, where there was a lot of play and also punched knees and scratched hands to the same extent, which only added to the reputation of tomboy I had at the time. And where were born all those “novelties” full of flavor that only years later I learned to appreciate properly. When I realized that nothing tasted as good as before anymore. Like when I was a little girl at my grandparents’ house.

From the old peach tree and the backyard that kept it, I know nothing now. But memory is a powerful tool that at the smallest thread of conversation makes all the sensations stored there emerge.

My grandmother never made galettes. Much less did she know what it was. She just fed me the best peaches ever. And that good memory still echoes in my kitchen.

 

 

 

 

Ingredientes:

  • 480 g de farinha sem fermento
  • 240 g de manteiga sem sal, bem fria e partida em cubos
  • 2 ovos frios
  • 70 g de açúcar
  • Pitada de sal

Recheio:

  • 400 g de pêssegos amarelos
  • 80 g de açúcar
  • 1 colher de sopa de folhas de limonete picadas
  • 1 colher de chá de amido de milho

Para pincelar:

  • 1 ovo batido

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