2016: carreira de Vítor Sobral, que abriu caminho às tascas modernas, é reconhecida

A experimentar

Em 2009, Vítor Sobral abriu a Tasca da Esquina, na vanguarda de uma abordagem gastronómica em que a tasca se revestia de roupagem contemporânea. Em 2016, o conceituado cozinheiro recebeu o Prémio Carreira pelo Guia Boa Cama Boa Mesa. Todas as semanas, para comemorar os 50 anos do Expresso, fazemos uma viagem no tempo, com o apoio do Recheio, para relembrar 50 restaurantes que marcaram as últimas décadas em Portugal.

Perto da hora de almoço, intensifica-se o cirandar de transeuntes, a pressa dos automóveis e dos elétricos em Campo de Ourique, no centro de Lisboa. Na esplanada da sua Tasca da Esquina, de frente para a vibração do bairro, senta-se uma das maiores referências da gastronomia portuguesa. Mesmo com uma série de projetos para orientar, Vítor Sobral arranja tempo para dar indicações à equipa desta Tasca, auxiliar na composição das mesas e dar uma entrevista. A experiência deste cozinheiro, como prefere ser identificado, em vez de chef, é amiga da serenidade.

A dinâmica “muito própria” de Campo de Ourique, onde convivem residentes e um grande fluxo de visitantes, contribuiu para o sucesso da Tasca da Esquina, que Vítor abriu depois de um percurso notável por outras casas. Formou-se na Escola de Hotelaria do Estoril, iniciou-se como profissional aos 21 anos no Iate Ben, em Carcavelos, e assumiu depois a cozinha do emblemático Alcântara Café, que o marcou por ter aberto “horizontes para a cozinha atualizada na Europa”. Seguiram-se as viagens, experiências de trabalho no Rock City, Café-Café, hotel Sofitel, Clube de Golfe da Bela Vista, Cervejaria Lusitana e o restaurante Terreiro do Paço, aberto de raiz em parceria com a Quinta das Lágrimas.

Ganha força, entretanto, a vontade de “deixar de fazer restaurantes sofisticados e passar a fazer restaurantes mais tranquilos”. Decide abrir um novo espaço que teria de ter “Tasca” no nome porque o termo “identifica uma restauração muito pura, familiar, feita por pessoas não profissionais”. Era também um “símbolo de portugalidade”. Decidiu a restante designação num almoço em sua casa. “Alguém começou a brincar e disse: Achas que isto é a tasca da esquina ou quê? Aquilo foi dito de uma forma depreciativa e eu pensei que se quisesse cortar com tudo o que era sofisticado, chamar a um restaurante Tasca da Esquina seria o caminho certo. E foi. Criou-se a marca ‘da Esquina’, que registei para a Europa, África, e América Latina, e comecei a criar nomes de restaurantes que tivessem a ver com a cultura portuguesa”, explica.

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