Nova Plataforma Nacional de Turismo reúne academia e organizações empresariais para potenciar setor

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A nova Plataforma Nacional de Turismo (PNT), hoje apresentada, pretende ser “a maior plataforma cívica” nesta área, reunindo 125 associados fundadores, entre academia e organizações empresariais, para “apoiar o desenvolvimento” do turismo em Portugal.

Com sede no Departamento de Economia, Gestão, Engenharia Industrial e Turismo (DEGEIT) da Universidade de Aveiro (UA), a plataforma – hoje apresentada hoje numa sessão pública ‘online’ – é presidida pelo professor do DEGEIT Carlos Costa, que a apresenta como “uma iniciativa única a nível planetário”, que “pode apoiar a sociedade civil a dar um contributo para se mobilizar e apoiar o desenvolvimento de Portugal” na área do turismo.

Segundo explicou, a plataforma “tem por objetivo promover iniciativas de investigação, desenvolvimento, inovação e de discussão que contribuam para a implementação de novas orientações de política, estratégia e ações para o turismo nacional”.

“No futuro, o turismo precisa de criar novas competências que lhe permitam atrair mais rendimento direto nacional e internacional, mas deve, igualmente, ter capacidade acrescida para articular os sistemas produtivos, acionando as economias regionais e locais e promovendo os territórios, o ambiente, bem como ser uma alavanca para a preservação do património histórico, cultural e etnográfico que nos afirmam e diferenciam”, lê-se no ‘site’ da PNT.

Neste sentido, acrescenta, a Plataforma Nacional de Turismo “foi criada para ser um espaço de reflexão, de diálogo e ação entre todos os interessados em contribuir para um turismo sustentável, inovador e que seja colocado ao serviço da economia e da sociedade em Portugal”.

A PNT integra 125 associados fundadores, que incluem todas as universidades portuguesas e um grande número dos institutos politécnicos com cursos na área do turismo; todos os professores catedráticos da área do turismo do país; a maioria dos investigadores nacionais da área do turismo e todas as organizações nacionais empresariais da área do turismo.

Embora o turismo tenha vindo a crescer e a consolidar-se em Portugal, Carlos Costa afirma que “têm surgido diversos problemas e desafios”: “Muito do crescimento tem acontecido de forma desequilibrada social e territorialmente, e muitas vezes, com fortes conflitos com a qualidade de vida dos residentes, do ambiente e da qualidade do emprego que é criado”, considera.

Assim, para o presidente da direção da PNT, “o turismo precisa de se desenvolver através do envolvimento e de um esforço acrescido em termos de conhecimento, inovação e envolvimento das pessoas com quem ele interage e que dele depende”.

“Precisamos de ter mais e melhores respostas no futuro em termos de economia, qualidade do emprego, e sustentabilidade ambiental. E é fundamental que a gestão e o planeamento do turismo sejam feitos de uma forma mais alargada envolvendo as empresas, as organizações e os centros de conhecimento e inovação do turismo”, sublinha.

O contributo da PNT, avança Carlos Costa, será feito através de ‘think tanks’ onde serão discutidos temas específicos do turismo nacional, como a localização do novo aeroporto, a cultura e património, a educação e formação, a sustentabilidade, a investigação e inovação ou o turismo em ilhas, entre outros.

Paralelamente, a plataforma promoverá a realização de projetos de investigação e inovação aplicados, em áreas como o conhecimento e informação; recursos humanos no turismo; governança, território e digitalização; e os grandes desafios societais do turismo e as suas implicações para Portugal.

Na sua intervenção durante a apresentação ‘online’ da PNT, o secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Nuno Fazenda, destacou que a iniciativa “vem acrescentar valor ao turismo do país e à sustentabilidade do setor” e gerará conhecimento que “será muito útil” nas cinco áreas prioritárias definidas na estratégia para o setor: valorização do território, apoio às empresas, qualificações, transições digital e climática e promoção.

“Não há desenvolvimento sem conhecimento e esta Plataforma Nacional de Turismo vem acrescentar valor. Já temos um país de conhecimento na área do turismo, o que temos como dado novo é que, desta vez, estas instituições, com as associações empresariais, juntam-se em plataforma para trabalharem em rede e partilharem experiências”, destacou.

Por sua vez, a secretária-geral da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) e vice-presidente da direção da PNT, Ana Jacinto, disse ser “essencial” para a associação integrar este projeto, porque “converter dados em informação e conhecimento é essencial para, depois, transferir esse conhecimento para as empresas”.

“É cada vez mais importante que as empresas encontrem o seu melhor posicionamento no mercado”, salientou, destacando que a plataforma se assumirá como uma “importante rede colaborativa para a transferência do conhecimento”.

Como exemplo prático da importância deste trabalho, a secretária-geral da AHRESP referiu o caso do alojamento local: “Se tivéssemos conhecimento sobre o que é a realidade do alojamento local, provavelmente não haveria uma proposta legislativa com o conteúdo da que deu entrada na Assembleia da República”, disse.

“Para tomarmos decisões, temos necessariamente de conhecer o terreno, o que nem sempre acontece. Por isso, esta plataforma assume esta importância enorme, enquanto rede colaborativa, para criar instrumentos que possam tornar as nossas empresas mais competitivas”, rematou a dirigente associativa.

PD // MSF

Lusa

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