Preço dos alimentos e pandemia podem inverter “alguma conquista” de Portugal no combate à obesidade

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A bastonária da Ordem dos Nutricionistas (ON) avisou esta sexta-feira que o aumento do preço do cabaz alimentar aliado à pandemia pode inverter “alguma conquista” que Portugal tenha alcançado no combate à obesidade.

Na véspera do Dia Mundial da Obesidade, Alexandra Bento falou à Lusa sobre os impactos que o aumento dos preços dos produtos alimentares pode ter nas refeições dos portugueses e apelou para a adoção de medidas para dar à população “possibilidades de se alimentar melhor”.

Segundo a Deco Proteste, uma cesta com 63 produtos alimentares essenciais pode hoje custar 230,38 euros, mais 46,75 euros (25,46%) comparando com 23 de fevereiro de 2022, véspera do início da guerra na Ucrânia.

Para Alexandra Bento, este aumento de preços somado com outras circunstâncias, nomeadamente a pandemia de covid-19, pode inverter “alguma conquista de Portugal” no controlo do excesso de peso e da obesidade.

“Se o preço é uma das questões que determinam as escolhas alimentares, nós podemos especular com alguma segurança que a população portuguesa estará a aumentar de peso”, disse, sublinhando que o excesso de peso afeta sobretudo os mais vulneráveis a nível económico e social, em várias dimensões.

Como se fala de “uma pobreza envergonhada”, disse, “aqui poderemos falar de uma alimentação envergonhada, que se passa no interior da casa de cada um, socorrendo-se dos alimentos menos corretos e de uma combinação de alimentos que muitas vezes também não é correta”.

A Ordem do Nutricionistas propôs em outubro de 2022 ao parlamento que isentasse do IVA alimentos considerados essenciais, como pão, fruta e hortícolas, uma medida que segundo contas feitas pela ON pouparia às famílias 394 euros por ano.

Apesar de não ser “a panaceia para resolver os problemas da obesidade”, Alexandra Bento considerou que teria sido uma medida importante, “num período especial”.

“Acho que o repto que todos nós deveremos lançar é que, se não é esta, que sejam outras iniciativas para que possam pôr a população a ter possibilidades de se alimentar melhor”, defendeu Alexandra Bento.

Lembrou que Portugal já avançou com a taxação dos refrigerantes, que “é uma das boas medidas”, mas disse que são precisas mais medidas.

“Nós não podemos dizer que Portugal não está a fazer nada, mas é preciso apressar o passo se queremos contrariar aquilo que nós imaginamos, que é a subida da prevalência do excesso de peso e da obesidade”, vincou.

Alexandra Bento advertiu que, por muitas medidas que o país possa ter, se não houver profissionais de saúde “em quantidade certa e nos locais certos”, nomeadamente nutricionistas, dificilmente se conseguirá contrariar esta questão.

Questionada sobre quantos nutricionistas existem no Serviço Nacional de Saúde, disse que são cerca de 500, mas defendeu que é necessário avançar a “passos largos” para um milhar para conseguir fazer face ao problema, além de serem necessários também em “muitos outros lugares importantes”.

A bastonária da ON lembrou que a obesidade “pesa no bolso de cada um, mas também pesa nos cofres do Estado e retira anos de vida saudável”.

A bastonária alertou que os países da Região Europeia da Organização Mundial de Saúde tinham “um compromisso de travar o crescimento do excesso de peso e da obesidade e, porventura, nem Portugal nem os outros países vão atingir este objetivo”.

Ressalvou que está a falar no domínio das hipóteses porque não há dados atuais em relação ao peso da população portuguesa, sendo que os últimos dados de 2015 indicavam que cerca de 60% da população adulta portuguesa tinha peso a mais.

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