Apicultores debatem em Faro desafios, ameaças e valorização de produtos apícolas

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Apicultores, técnicos de saúde e de agricultura vão participar na terça-feira no 13.º Encontro Regional de Apicultura do Algarve para debater os desafios e ameaças para a apicultura e a valorização dos produtos derivados do mel.

Organizado conjuntamente pela Direção Regional de Agricultura e Pescas (DRAP) do Algarve e pela Associação de Apicultores do Sotavento Algarvio (Melgarbe), o encontro que tem como tema “A Importância das Abelhas como principal polinizador de culturas e essencial na conservação da biodiversidade” vai decorrer entre as 09:00 e as 17:00, no auditório da DRAP, no Patacão, em Faro.

No encontro, onde são esperadas cerca de 200 pessoas, entre apicultores, investigadores, técnicos de saúde e de agricultura e representantes governamentais e de associações, vão ser debatidos temas como a sustentabilidade do setor apícola, os desafios e oportunidades, bem como a importância do controlo de qualidade na valorização dos produtos apícolas.

Em declarações à agência Lusa, o diretor regional de agricultura do Algarve, Pedro Valadas Monteiro, apontou a importância do encontro, “não só para debater os problemas e desafios do setor na região, como também importar para o Algarve bons exemplos que são aplicados noutras regiões do país, nomeadamente o da maior organização no setor”.

De acordo com Pedro Monteiro, a apicultura “tem um peso muito significativo na economia do Algarve”, região que produz em média mais de 1.000 toneladas por ano, onde estão registados 1.269 apicultores, dos quais 1.169 são profissionais.

“É a região do país onde percentualmente temos a maior proporção de apicultores profissionais, ou seja, de coletores profissionais que são aqueles que têm mais de 150 colmeias”, sublinhou.

No entanto, adiantou, no Algarve “existem apenas três melarias que estão licenciadas como estabelecimentos de extração e processamento de mel, embora exista um grande número de produtores que não estão licenciados, porque não atingem os 650 quilogramas, quantidade a partir da qual é obrigatório o licenciamento.

Por outro lado, existem 14 estabelecimentos legalizados ao abrigo do regime do licenciamento industrial que, “na prática, são estabelecimentos que não fazem a extração do mel, mas utilizam o mel para o fabrico do produto final, como a famosa melosa, produto que junta aguardente de medronho e mel”.

Segundo o responsável, a apicultura é um setor económico que “continua a motivar os empresários no Algarve”, apontando os 37 projetos aprovados pelo Programa de Desenvolvimento Rural 2014-2020, “que se traduzem num investimento superior a 1,6 milhões de euros, sendo o apoio público na ordem dos 910.000 euros”.

Além da importância na economia da região, a apicultura é apontada por Pedro Monteiro “como uma atividade de combate à desertificação do interior e de proteção dos espaços florestais, dado ser normalmente desenvolvida em territórios despovoados e altamente vulneráveis ao risco de incêndio”.

“O apicultor está permanentemente a cuidar das abelhas, ou seja, é um vigilante do espaço rural e florestal onde as abelhas pastam, interessado em ter um ecossistema saudável para garantir a alimentação e proteger a casta, proporcionando um rendimento económico nesses territórios”, referiu.

Os impactos com a utilização de pesticidas agrícolas, as pragas, os incêndios e a seca na atividade apícola são temas que também vão ser debatidos no 13.º Encontro Regional de Apicultura do Algarve.

“A forma de combater as ameaças para as abelhas é um tema essencial para a sustentabilidade ambiental, da apicultura e da própria atividade agrícola e flora silvestre, já que falamos daquele que é considerado como o inseto mais importante para a vida humana e para a conservação da biodiversidade”, concluiu o diretor regional de agricultura do Algarve.

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