Edição de 2023 do simplesmente… Vinho vai “dar mais papel às mulheres”

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11.ª edição do simplesmente… Vinho, que decorre entre  esta sexta-feira e domingo na Alfândega do Porto, vai “dar mais papel às mulheres”, disse à Lusa a co-organizadora Sara Roseira, pretendendo mostrar o percurso identitário das produtoras artesanais.

“Nós tentámos, de alguma forma, dar mais papel às mulheres, quer na parte do vinho quer na parte da cozinha”, disse à Lusa Sara Roseira, que co-organiza o simplesmente… Vinho com o pai, João, e o irmão, Gustavo, indo o evento na 11.ª edição.

No entanto, a co-organizadora ressalva que o objetivo é “fugir daquele chavão de como é que é ser uma mulher no mundo do vinho”.

“É mais perceber a história, de onde é que as coisas vêm, e como é que é o percurso, e como é que elas conseguem encontrar a sua própria identidade no meio disto tudo”, explicou à Lusa Sara Roseira.

A co-organizadora destacou as ‘vigneronnes’ (produtoras artesanais que comercializam o próprio vinho) Aline Domingues e Nuria Renom, presentes na imagem do evento deste ano, e que têm “características muito especiais”, por serem “duas pessoas que largaram tudo para se dedicarem ao vinho”.

“A Aline veio de França para Portugal para fazer o Menina d’Uva, e largou mesmo tudo para ir para o interior do país para se dedicar a fazer vinho, e a Nuria é argentina, esteve seis anos em Barcelona a trabalhar num bar como ‘sommelier’, e depois também foi para uma parte super rural fazer o vinho”, detalhou.

O objetivo é “investir mais e mais” na presença feminina no evento e, sobre a não existência de uma “taxa gigante de mulheres” no simplesmente… Vinho, Sara Roseira afirma que a organização já trabalha “com produtores que já de si são nichos”.

“Mas, mesmo assim, nós fazemos um esforço ativo nesse sentido para ter alguma representação”, assegura, calculando em cerca de 20 ‘vigneronnes’ num total de 101 participantes na edição deste ano.

Outro dos destaques do simplesmente… Vinho de 2023 é o convidado especial, La Biancara di Angiolino Maule, “um ‘vigneron’ histórico italiano, que é fundador da VinNatur, que é também uma das feiras de vinho natural mais conhecidas em Itália”.

Além do vinho, o evento tem também a componente dos petiscos, da arte e da música, além das conversas, e tentando ser “um evento informal”, numa “festa de celebração do vinho”.

“Muitas vezes estes eventos de vinho acabam por ter uma certa formalidade e um bocado uma distância, com os produtores atrás do balcão”, e “muitas vezes nem são os produtores, são os comerciais ou outra pessoa qualquer que está em representação da quinta”, referiu Sara Roseira.

Para o simplesmente… Vinho, “é fundamental que seja o ‘vigneron’, a pessoa que faz o vinho, e não a pessoa que vende o vinho que está lá, porque não existe outra pessoa que consiga explicar melhor a paixão que tem por aquilo que faz, porque é que faz, e como é que chegou àquilo”.

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