JMJ: Empresários da restauração esperam retornos e mais informação sobre o evento

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Em agosto, a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) tornará Lisboa no “centro do mundo”, levando restaurantes e cafés próximos do palco principal do evento a esperar retornos, dada a expectativa de receber na cidade 1,5 milhões de pessoas.

A norte do Parque das Nações, em Lisboa, está a ser construído o Parque Urbano Tejo-Trancão, que vai acolher os eventos principais da JMJ, algo que entusiasma o comércio local, em especial o setor da restauração.

“A Jornada Mundial da Juventude é, sem dúvida, uma grande iniciativa para Portugal. A proximidade do Parque Expo [Parque das Nações] com a organização vai trazer muita gente”, diz à agência Lusa Júlio Fernandes, chefe de cozinha de um restaurante na Rua da Pimenta.

O mês de agosto costuma ser forte no estabelecimento, mas a JMJ faz subir as expectativas de Júlio Fernandes, esperando atrair “grupos grandes” ao restaurante: “sendo em agosto, estou com a ideia de que muitas famílias não vão deixar os seus jovens sozinhos e vão fazer excursão a Lisboa”.

A Rua da Pimenta, onde ficam vários restaurantes, é uma “zona boa”, descreve João Reis, proprietário de um deles, visto que está junto ao rio Tejo e recebe portugueses, turistas e espetadores de eventos que se realizam em espaços próximos.

A 179 dias do evento, João Reis afirma também ter as “expectativas muito altas” sobre os retornos que a JMJ pode trazer para o negócio.

Júlio Fernandes e João Reis dizem ter sido contactados para preparar menus a preços acessíveis aos peregrinos da Jornada, mostrando vontade de cooperar.

“Percebi que tinha a ver com o menu para os caminhantes e para os peregrinos”, realça João Reis, adiantando que recebeu há duas semanas uma chamada telefónica de “uma associação que está a identificar aquilo de que a restauração necessita”, sendo que ficou a aguardar por um ‘email’.

João Reis acrescenta que pediram preços “mais acessíveis, coisas simples”, com o custo de cada menu a rondar entre “três e quatro euros”.

Também sem conseguir esclarecer ao certo quem lhe ligou, Júlio Fernandes descreve que teve um “contacto exploratório” para perceber a disponibilidade de preparar menus mais baratos.

“Eu disse-lhes que não podia abrir o restaurante à totalidade dos ‘vouchers’, mas admiti ter um espaço no restaurante, que tem 535 lugares”, explica Júlio Fernandes.

A Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP) assinou, em novembro de 2022, um protocolo com a Fundação JMJ (entidade da Igreja organizadora do evento) para identificar uma rede de restaurantes e similares para o fornecimento de refeições aos peregrinos durante o evento, entre 01 e 06 de agosto.

Um dos aspetos do protocolo é que a AHRESP vai contactar estabelecimentos para promover a sua adesão à rede, sendo que nesses espaços será possível utilizar ‘vouchers’ de alimentação.

Em resposta à Lusa, a AHRESP esclareceu, na quarta-feira, que começou o “processo de sensibilização para adesão à rede de alimentação da Jornada Mundial da Juventude 2023 no início deste ano”, processo que “vai decorrer ainda durante algum tempo”, sendo que a adesão será feita diretamente com a Fundação JMJ.

“Qualquer empresa, associada ou não da AHRESP, poderá fazer parte da rede de alimentação da JMJ”, refere a associação na nota escrita enviada à Lusa.

Ainda de acordo com associação, “por indicação da Fundação, os restaurantes que foram contactados diretamente pela AHRESP são aqueles que fazem parte das dioceses de Lisboa, Santarém e Setúbal”.

Em relação aos custos dos menus, a AHRESP remete a questão para a Fundação JMJ, que tratará da negociação com os restaurantes inscritos.

No centro de Moscavide, em Loures, os proprietários de cafés também têm expectativas em relação ao evento, mas receiam não sentir os retornos por estarem mais afastados do Parque Tejo-Trancão e das principais iniciativas.

A pandemia de covid-19 e a inflação prejudicaram o negócio de Manuel Campos, que enfrenta uma “situação complicada” no café onde trabalham 14 funcionários.

“Cada vez que há um evento de qualquer natureza, temos sempre a expectativa de que as coisas possam melhorar”, admite Manuel Campos, lamentando que, até agora, nada tenha sido falado sobre o evento por parte da Câmara Municipal de Loures.

O mesmo é referido por João Salgado, responsável por um café na Avenida de Moscavide, esperando que a JMJ seja positiva, embora não acredite “que se vá notar aqui alguma coisa”.

“Seria bom para todos, mas nós estamos um bocado distantes”, lamenta João Salgado, apontando que “os transportes que levam as pessoas [os visitantes da JMJ] vão pela linha de água [rio Tejo]”.

Contactada pela Lusa, a Associação de Comerciantes de Sacavém, localidade próxima do futuro Parque Tejo-Trancão, espera também que os comerciantes locais sejam envolvidos no evento.

“Neste momento, o essencial será tentar perceber de que forma é que os nossos comerciantes podem participar”, diz o presidente da associação, Octávio Mestre, que tem expectativas sobre potenciais retornos na restauração, embora não tenha qualquer informação sobre estratégias para envolver o comércio local.

Já com mais de 420 mil peregrinos pré-inscritos, a Jornada Mundial da Juventude é considerada o maior acontecimento da Igreja Católica e vai realizar-se este ano em Lisboa, entre 01 e 06 de agosto, sendo esperadas cerca de 1,5 milhões de pessoas.

As principais cerimónias da jornada decorrem no Parque Tejo, a norte do Parque das Nações, na margem ribeirinha do Tejo, em terrenos dos concelhos de Lisboa e Loures.

As jornadas nasceram por iniciativa do Papa João Paulo II, após o sucesso do encontro promovido em 1985, em Roma, no Ano Internacional da Juventude.

O Papa Francisco estará em Lisboa para participar na JMJ.

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