Pastelaria muda-se da Rua do Almada para a Ribeira devido às obras do Metro do Porto

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A pastelaria Miss Pavlova, na Rua do Almada desde 2015, fechou as suas instalações devido às obras da Metro do Porto na Rua dos Clérigos, obrigando à relocalização do negócio para a Ribeira, disse a gerente à Lusa.

“Vamos fechar com muita pena nossa. Estamos ali desde 2015, mas isto é insuportável. Não conseguimos manter o espaço, nem tão-pouco o nosso senhorio, que já nos tem ajudado”, disse à Lusa Ana Maio, gerente da marca.

Afirmando que só mantinha a loja aberta “por causa dos clientes”, a responsável disse ter ido “até ao limite”, porque “todos os dias perdia dinheiro”, tendo encerrado o estabelecimento no domingo.

“Tivemos quebras de vendas superiores a 80%”, acrescentou, juntando-se a outros comerciantes da zona já ouvidos pela Lusa, também afetados pelas obras, e que falaram em perdas superiores a 70%.

Quanto ao processo de decisão do encerramento do espaço devido à construção da Linha Rosa (São Bento – Casa da Música), Ana Maio disse ter ficado “num buraco” no final da Rua do Almada, em que com o corte do trânsito rodoviário junto ao Banco de Portugal, “o transeunte passa e olha para baixo, para a rua vazia, para o fundo, e vê um tapume”.

“Foi muito pouco simpática toda a forma como foi abordada esta questão”, classificou, considerando que o aspeto da rua “quase que é impeditivo, quase que é proibido ou, até, a sensação que dá é que é quase perigoso”.

Contando que sentiu “uma quebra de vendas automaticamente” com o corte do trecho entre as ruas do Almada e dos Clérigos, disse à Lusa ter feito “uma exposição” à Câmara Municipal.

“Até hoje não tenho respostas absolutamente nenhumas da Câmara do Porto. Zero respostas”, disse à Lusa, considerando que sentiu “por parte da Metro do Porto, e também do município do Porto, uma desresponsabilização terrível, enorme”, bem como falta de “cuidado e uma sensibilidade com os negócios”.

Questionada pela Lusa, fonte oficial da Câmara do Porto disse que o departamento de Comércio “nunca recebeu pedidos formais de apoio por parte deste estabelecimento”.

“Quanto aos serviços municipais de Mobilidade e Transportes há apenas um registo de pedido de acesso à nova loja que a Miss Pavlova tem na zona da Ribeira, efetuado aquando do início das obras na Rua do Infante. Foi dado o devido tratamento a este pedido e as obras na referida artéria ficaram concluídas na semana passada”, adiantou a mesma fonte.

No processo, Ana Maio disse à Lusa que foi convidada pela Metro do Porto para ir para contentores provisórios na Trindade, onde estão instalados alguns comerciantes da zona, mas recusou por o investimento não compensar.

A gerente, que também foi negociando por intermédio da Associação de Comerciantes do Porto, acabou então por decidir mudar-se para a Ribeira, onde deverá abrir um espaço em dezembro, além do espaço que detém no Norteshopping, em Matosinhos.

Contactada pela Lusa, a Metro do Porto reiterou, tal como no passado, que “não querendo e não podendo, por uma questão de reserva de privacidade, entrar no detalhe de casos práticos ou situações muito específicas”, há “acordos fechados com diversos estabelecimentos comerciais” e negociações com outros.

A empresa afirma que “em cooperação com a Associação dos Comerciantes do Porto e com a Câmara Municipal do Porto” tem feito um “amplo e profundo trabalho de avaliação dos impactos”, um processo “a cargo de uma entidade externa à Metro, uma sociedade de Revisores de Contas”.

Também a câmara municipal disse que “são realizadas frequentemente reuniões com a Metro do Porto” para que o município se mantenha informado, mas “a comunicação sobre as intervenções e respetivos condicionamentos é da responsabilidade da Metro”.

“O papel a que os serviços municipais não se furtam tem sido o de alertar a Metro para os possíveis impactos das obras sobre quem mora, quem trabalha e quem visita a cidade”, e “sempre” que há uma exposição “procura-se compreender a situação apresentada e apoiar na articulação” com a Metro do Porto.

O presidente da Metro do Porto, Tiago Braga, assumiu ter o objetivo de ter a Linha Rosa a funcionar no primeiro trimestre de 2025, depois de concluídas as obras em dezembro de 2024, e os custos, em conjunto com o prolongamento da Linha Amarela, em Gaia, superam os 400 milhões de euros.

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