Cinco novos restaurantes portugueses com uma estrela Michelin

A experimentar

A partir do próximo ano, os prémios do guia dos pneus serão distribuídos de forma separada em Espanha e em Portugal. 

Portugal tem mais cinco restaurantes galardoados com uma estrela pelo guia Michelin. São eles: Kanazawa, em Algés, Kabuki e Encanto, em Lisboa, Euskalduna e Le Monument, no Porto.

O anúncio aconteceu esta terça-feira, na gala do Guia Michelin Espanha e Portugal 2023, transmitida a partir da cidade espanhola de Toledo. Ricardo Costa, chef do restaurante The Yeatman, em Vila Nova de Gaia, foi quem teve a honra de entregar os prémios. 

Mais uma vez, a Michelin surpreendeu a maioria das pessoas, estrelando restaurantes em que poucos apostariam e deixando de fora alguns candidatos.

O galardão atribuído ao Kanazawa talvez tenha sido a notícia que menos se esperava. O balcão de Algés, com o chef Paulo Morais aos comandos, praticamente sozinho, é um pequeno templo de cozinha japonesa clássica. O nome e o conceito foram herdados do fundador, o chef japonês Tomo Kanazawa, que inaugurou o restaurante em 2015, com menus kaiseki para apenas oito pessoas por noite. 

Em 2016, muitos haviam vaticinado a estrela para o Tomo, que nunca chegaria. O chef regressaria ao Japão em 2017, deixando o restaurante tal qual estava nas mãos de Paulo Morais, que prosseguiu na mesma linha, a partir de 2018. 

Os menus kaiseki do Kanazawa vão dos 60€ (cinco momentos) aos 100€ (oito momentos). A estrutura da refeição obedece a algumas regras, como a presença de pratos avinagrados ou ácidos, outros grelhados, outros à base de caldos, bem como um momento de sushi.

Por sua vez, o Kabuki assume-se como um japonês-mediterrânico e é uma marca espanhola, com oito restaurantes em Espanha, de Madrid a Tenerife (quatro deles já galardoados com estrelas Michelin), tendo-se instalado em 2021 nas Galerias Ritz, em Lisboa. O chef é Paulo Alves, a dirigir a sala está Victor Jardim e o sommelier é Filipe Wang, que se transferiu do Alma, de Henrique Sá Pessoa. 

Já o Encanto, do grupo Avillez, abriu em Março deste ano mas isso não impediu que recebesse a estrela, desde já. O restaurante serve apenas um menu vegetariano, com uma degustação de 12 momentos, por 115€ (fora bebidas). O chef residente é João Diogo Formiga. 

No Porto, o Euskalduna é um pequeno restaurante chefiado por Vasco Coelho Santos, onde se destacam os lugares ao balcão — e um dos candidatos repetentes à estrela, desde há alguns anos. Pratica-se um fine dining mais informal e vanguardista, sem baias regionais ou nacionais. O menu de degustação custa 125€, sem bebidas, e dá direito a “10 momentos e algumas surpresas”. 

Quanto ao Le Monument, do chef Julien Montbabut, fica em plena Avenida dos Aliados, também no Porto, e pratica uma cozinha de técnica clássica francesa mas com inspiração portuguesa. O menu Uma Viagem por Portugal custa 125€ (14 momentos) ou 105€ (10 momentos). 

No que respeita às estrelas verdes, o chef Diogo Rocha foi o único representante português a subir ao palco, em nome do restaurante Mesa de Lemos, em Passos de Silgueiros, Viseu. 

Uma outra notícia dada na gala, vista por muitos como uma vitória, foi o anúncio de que, a partir do próximo ano, Portugal irá organizar uma gala Michelin autónoma, onde serão indicados os restaurantes galardoados só no país. Espanha terá a sua gala, independente. 

“Os dois destinos terão os seus próprios momentos de celebração”, adiantou o diretor internacional do Guia Michelin, Gwendal Poullennec, durante a cerimónia, justificando com o facto de Was duas cozinhas, portuguesa e espanhola, se terem desenvolvido muito nos últimos anos e queremos promover melhor o que as torna únicas”.

Poullennec agradeceu pessoalmente ao presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, “pelo seu grande apoio neste sentido”. 

De resto, voltando às estrelas, em Portugal, falava-se na possibilidade de Marlene Vieira receber já a primeira estrela, pelo seu Marlene, aberto em Abril deste ano. Ou mesmo de ela poder cair também para o Sála, de João Sá. Outra possibilidade era haver pela primeira vez um três estrelas, no caso o Belcanto ou o Ocean. Ou então de o Fifty Seconds ascender à segunda. Ou de haver mais uma estreia vegetariana nos astros: o  Arkhe, com cozinha de João Ricardo Alves e sala de Alejandro Chávarro, também ficou de fora. 

Os únicos novos três estrelas Michelin foram para Espanha: o Atrio, em Cáceres, do chef  Toño Pérez, e o Cocina Hermanos Torres, em Barcelona, dos chefs e irmãos Sergio e Javier Torres. 

Nas novidades estelares, a Michelin criou ainda uma categoria para o serviço de sala. O Prémio Serviço foi para Tony Gerez, chefe de sala e sommelier do restaurante Castell Peralada, em Peralada, Espanha. 

O Prémio Mentor foi para Joan Roca, do restaurante El Celler de Can Roca, três estrelas Michelin, em Girona. 

Também o prémio Jovem Chef foi para um espanhol, Cristóbal Muñoz, do restaurante Ambivium, em Peñafiel. 

No que respeita aos restaurantes Bib Gourmand, “que servem uma cozinha de qualidade a preços comedidos”, houve sete novidades em Portugal e 31 em Espanha. 


Ricardo Dias Felner
Escritor e Jornalista

 

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