Vinha da Ponte 2018, uma edição memorável

A experimentar

A partir de um ano desafiante como foi 2018, a Quinta do Crasto conseguiu a proeza de obter os dois topos de gama. O Vinha da Ponte, em particular, é rocha pura, um vinho portentoso, distinto e fresco, um monumento que irá perdurar longos anos.

TEXTO José João Santos, Marc Barros, Nuno Guedes Vaz Pires

Alguns dos melhores vinhos do mundo nascem a partir de minúsculos palmos de terra. Fruto de um conjunto de circunstâncias, adquirem uma identidade impossível de replicar por qualquer outro meio, tornando-se ícones que, nos melhores exemplos, chegam ao Olimpo da classificação de vinhos raros.

A Quinta do Crasto tem a sorte de possuir dois topos de gama, dois vinhos de vinhas centenárias que possuem características ímpares. Raramente são lançados em simultâneo, dificilmente partilham a mesma colheita, mas por vezes acontece. Como em 2018.
Foi um ano quente, com momentos de escaldão em diferentes pontos do país, precedidos de episódios precoces de granizo no período da floração que causaram perdas de produção. Nalgumas geografias, a pressão de míldio e oídio sentiram-se de modo severo. Mas houve exceções. Como as vinhas da Maria Teresa e da Ponte, da Quinta do Crasto.

Provamos os dois ícones, lado a lado, e o Vinha da Ponte 2018 está num patamar estratosférico, a acenar aos deuses. Concentrado mas fresco, com toques de fósforo, uma amplitude gigantesca, profundidade e tensão que mais parecem ligadas à corrente elétrica. Perdurará anos na garrafeira.

Na base, uns estonteantes 1.96 hectares de vinhas, plantados em tradicionais socalcos, exposição nascente-sul, densidade de 6.300 pés de videira por hectare, produções médias de 300 gr. de uvas por planta. Xisto, sempre xisto no solo, a uma altitude entre os 190 e os 200 metros (para ajudar na compreensão, a Vinha da Ponte está ao cimo da vinha Maria Teresa).

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