Flor de Lis: para lá da comida de hotel

A experimentar

O Flor de Lis é o que podemos chamar de bom segundo restaurante de hotel. Se a maior parte das unidades hoteleiras do país lhe seguisse o exemplo, talvez a “comida de hotel” passasse de vez a ser uma expressão do passado.

São diversas, as orientações que os hotéis adoptam em relação aos espaços de restauração das suas unidades. A mais comum é a do restaurante como complemento de hospedagem, sem grande brilho ou esforço para atrair o cliente externo – a tal, que deu azo à chamada “comida de hotel”. No outro sentido, temos os que terceirizam os restaurantes ou fazem parcerias, convidando chefs famoso sou um grupo de restauração para gerir ou explorar os espaços, ou parte deles. Há ainda um terceiro modelo, o do hotel que toma conta do assunto, mas que planeia logo de raiz os seus restaurantes para funcionarem não apenas com o intuito de atrair o cliente interno do hotel, mas também o externo.

O Vila Foz, o boutique hotel de 5 estrelas na zona da Faz, no Porto, adopta este último modelo com os seus dois espaços. Porém, enquanto o Vila Foz Restaurante, aberto apenas ao jantar e somente com menu de degustação, joga na liga dos campeões do Guia Michelin (ganhou uma estrela na última edição), o Flor de Lis aposta num patamar menos exigente, mas não menos competitivo do mundo da restauração.
Num destes dias de semana de Março, almocei neste último. A sala estava bem composta, com aquele barulhinho bom que dá ambiente a um restaurante, o que nem sempre acontece em lugares que são igualmente pensados para servir o pequeno-almoço dos hóspedes (como é o caso). A maior parte dos clientes era de fora e pareciam vir aliciados pelo menu executivo, com entrada, prato, sobremesa + bebida/copo de vinho – por 22 euros (ou 19 euros, se se optar apenas por dois pratos), um preço imbatível, tendo em conta que se trata de um hotel de 5 estrelas. Tal como no espaço estrelado, a carta do Flor de Lis é da responsabilidade de Arnaldo Azevedo, um cozinheiro com um percurso sólido tendo passado por alguns hotéis e restaurantes de prestígio e que antes de chegar ao Vila Foz liderava a cozinha do Hotel Teatro, dos mesmos proprietários.

Neste lugar, Arnaldo Azevedo exibe uma carta híbrida: de um lado, apresenta uma série de propostas mais dirigidas aos clientes do hotel (é o único restaurante da unidade aberto todos os dias), onde cabe um ceviche de salmão, um tártaro de atum ou de vitela, massas, um peito de frango (com mel e especiarias), um rosbife ou um chuletón; do outro, propõe um conjunto de pratos de cozinha portuguesa, como o bacalhau lascado com batata a murro, ou um arroz de lavagante.
Começámos com uma sopa de peixe, camarão e croutons. Caldo rico, ligeiramente espesso (e batido, era visível uma certa espuma), sabor elegante, sem ser demasiado puxado, num bom equilíbrio entre o sabor do pescado e o do marisco. A sopa vinha bem enriquecida, com pedaços de peixe e quatro ou cinco peças de de camarão comum. Arnaldo Azevedo poderia fazer uma sopa mais rica e de maior variedade de peixe, mas para o preço (7.50€) e restaurante em questão, está muito bem. Ainda assim, merecia uns crutons mais gulosos, fritos em azeite ou em manteiga, em vez de uns comuns secos no forno.

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