Mirandela prepara APP com receitas tradicionais para combater desperdício alimentar

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O município de Mirandela, no distrito de Bragança, está a preparar uma aplicação (‘APP’) para ajudar a aproveitar as sobras de alimentos com sugestões de práticas e receitas tradicionais.

Esta é uma das 18 ações e 11 medidas previstas no Plano Municipal de Combate ao Desperdício Alimentar apresentado nesta cidade transmontana, e que será executado durante um ano, a partir de agora, segundo a presidente da câmara, Júlia Rodrigues.

O plano será executado em parceria com diversas entidades locais e a sugestão da APP “Chefe Sustentável” partiu da escola superior que o politécnico tem em Mirandela, a EsACT, para criar um ferramenta que ajude os consumidores a aproveitar as sobras da cozinha para outras receitas.

A ideia é colocar na aplicação os ingredientes ou alimentos disponíveis e esta apresentar as possibilidades de reaproveitamento com receitas e conteúdos para as quais contribuirão também outras instituições locais ligadas à formação.

“Nas nossas zonas mais rurais, antigamente nós fazíamos sempre o aproveitamento e o reaproveitamento dos alimentos, neste momento por ser mais fácil e porque não temos tempo [são deitados no lixo] e esta ‘APP’ visa permitir, com sugestões de receitas, esse reaproveitamento”, explicou a autarca.

A ideia é incluir nas sugestões “as tradições locais, as receitas que antigamente se faziam nas aldeias, com a participação das juntas e das freguesias dos concelhos”, segundo disse.

A câmara municipal vai também, no âmbito deste plano, fornecer à restauração cem mil embalagens recicláveis para que as pessoas/clientes levem as sobras da comida, “para que não constitua um desperdício alimentar para o restaurante”, o que depois vai ter um reflexo direto também nos resíduos urbanos, que têm que ser tratados pela Resíduos do Nordeste, parceira também no projeto.

Dirigida ainda à restauração, foi pensada outra medida de incentivo à dose certa de alimentos nas refeições servidas.

“No nosso território temos uma excelente gastronomia e muitas vezes as doses vão além daquilo que nós somos capazes de consumir. Temos duas soluções, ou oferecemos meias doses ou damos um recipiente para que possam levar aquilo que não consumimos no restaurante”, concretizou a presidente da câmara.

Contra o desperdício, o plano contempla também dias dedicados no mercado municipal para a produção local poder vender “tudo o que sejam produtos que não tenham os calibres adequados, nomeadamente a chamada fruta feia”, e que no mundo rural sempre foram aproveitados ou para alimentação dos animais, ou para fins culinários como confeção de compotas.

“Aquilo que nós pretendemos é que, através de uma ação conjunta com a Associação Comercial e Industrial de Mirandela, possamos fazer dias dedicados no mercado municipal e dinamizar este mercado. Temos produtos com menor valor comercial, mas se calhar de altíssima qualidade e que são muitas vezes desaproveitados”, explicou.

Em tempo de crise, o plano de combate ao desperdício alimentar “faz ainda mais sentido” para a autarca de Mirandela, que aguarda pela resposta a uma candidatura de 60 mil euros ao Fundo Ambiental para executar as ações previstas.

O plano prevê também a elaboração de manuais para as escolas sobre a temática e a distribuição de 250 recipientes para compostagem caseira.

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