“Nutricionistas dariam grande ajuda” na introdução de novas espécies de peixe no mercado

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De braço dado com a sustentabilidade ambiental e de espécies de pescado em território nacional, um conjunto de investigadores do Centro de Ciências do Mar e da Atmosfera (MARE), integrados no Instituto Politécnico de Leiria, está empenhado na revitalização do mercado piscatório com a introdução de novas espécies.

Ceviche de choupa, paté de carapau negrão fumado, lira frita desidratada, mini saia frito e pastéis de serrão. O objetivo, explica a investigadora Filipa Pinto à VIVER SAUDÁVEL, é “utilizar pescado de baixo valor comercial, ou sem valor comercial, da costa de Portugal”, e fazê-lo chegar à mesa dos portugueses. “O consumo nacional está desregulado, porque capturamos sardinha, carapau, cavala… mas o que mais consumimos são, por exemplo, o bacalhau e o salmão”, espécies que, reforça, são importadas, o que provoca um “desequilíbrio na economia e nos ecossistemas”.

De dois em dois meses, durante um ano, os investigadores do MARE acompanharam a atividade dos pescadores da linha costeira de Peniche e perceberam que “nas redes, sejam de arrasto ou de cerco, vêm sempre muito mais espécies do que aquelas para as quais vão pescar”. E o que fazem com elas? “Têm de as descartar, para levar as que lhes dão mais dinheiro, só que, quando voltam para o mar, essas espécies já não vão viver, porque estiveram demasiado tempo sob stress e sem água com oxigénio para respirar”. O pescado é, assim, desperdiçado.

Esta mudança de paradigma seria, conclui, benéfica para todos. “O consumidor tem outra opção de consumo, o pescador consegue ter a pesca rentabilizada, a indústria alimentar do pescado pode desenvolver novos produtos e ter uma revitalização do mercado, e tudo isto ajuda o ambiente porque não sobrecarregamos ecossistemas ao consumir sempre as mesmas espécies”, reitera Filipa Pinto, que destaca o valor nutricional destes animais.

“O consumidor acha-se muito informado mas não é”

O processo de análise destes investigadores, pós-captura pelos pescadores locais, começava por uma análise biológica – para, por exemplo, distinguir machos e fêmeas e determinar os seus tamanhos – que determinaria as suas componentes nutricionais. “Fizemos análises à proteína, à gordura, fizemos ainda um perfil lipídico, à cinza e ao teor de humidade”. Concluindo, nutricionalmente, estas espécies “têm o mesmo ou um muito semelhante potencial nutricional face aos demais consumidos”, destaca a investigadora.

Retirando da equação a sardinha que, lembra, tem um “elevado teor de gordura boa” não acompanhado por estas espécies, Filipa Pinto assegura que elas “chegam a todos os outros”, dando exemplos: “o carapau negrão chega ao carapau normal, até tem mais gordura, a choupa também, têm potencial aos demais que consumimos e que capturamos em maior quantidade”. Comprovado o “potencial nutricional”, o desafio configura-se numa “questão cultural” que, apenas com o desenvolvimento de novos produtos alimentares, pode ser colmatada.

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