Six Senses Douro Valley | Em busca do gene sentido

A experimentar

“Ali eu sinto que nada de mau pode acontecer na minha vida – nenhuma desgraça, nenhuma calamidade (deixando os meus olhos), que a natureza não pode reparar.”  Ralph Waldo Emerson.

Os pequenos bosques com caminhos em terra, as vinhas serenas à beira rio e os cantos melodiosos dos pássaros nos jardins são enormes tesouros naturais nos quais devemos procurar refugio … frequentemente. A natureza é o caminho mais puro para a paz interior, recarrega as energias, renova a personalidade e reconecta-nos.

Six Senses Douro ValleyTodos nós nos sentimos (pelo menos um pouco) diferentes quando temos a oportunidade de respirar um ambiente livre de poluição, quando inalamos ar puro ou cheiramos a fragrância sedutora das flores. Para além deste relaxamento induzido pela natureza, haverá outros benefícios neste mergulho florestal? Alguns pesquisadores japoneses tiveram de cavar bem fundo para responder a esta questão.

Six Senses Douro ValleyUm deles, Dr. Qing Li, dirige-se todos os dias (excepto quando chove muito) a um parque arborizado perto da Nippon Medical School, em Tóquio, onde trabalha. Não é apenas um lugar agradável para almoçar, ele acredita que o tempo passado sob a copa das árvores é um factor crítico no combate às doenças: da mente e do corpo.

Six Senses Douro ValleyPara além desta rotina quase diária, Li passa três dias por mês nas florestas perto de Tóquio, usando todos os seus cinco sentidos para se conectar com o meio ambiente e limpar a sua mente. Os japoneses denominam essa prática de shinrin-yoku – que traduzindo literalmente significa banho de floresta.

Six Senses Douro ValleyEsse banho, segundo os estudos de Li tem o poder de combater problemas como o cancro, AVCs, úlceras gástricas, depressão, ansiedade e stress. Estimula o sistema imunológico, reduz a pressão arterial e ajuda a dormir. Após estes estudos, mais perto de nós, no Reino Unido e com forte apoio da duquesa de Cambridge – Catherin Middleton, discute-se nos dias que correm se este tratamento poderá ser prescrito  por médicos britânicos e se deverá fazer parte do NHS (o serviço nacional de saúde dos ingleses).

Six Senses Douro Valleyshinrin-yoku foi desenvolvido na década de 1980 no Japão. Embora as pessoas já caminhassem pelas florestas do país há séculos, estes novos estudos evidenciaram, através da ciência, que essa actividade pode reduzir a pressão arterial, diminuir os níveis de cortisol e melhorar a concentração e a memória. Um produto químico liberado por árvores e plantas, chamado fitonídios, parece ser o responsável por todos estes “milagres”.

Six Senses Douro ValleyÀ medida que mais pesquisas foram destacando os benefícios do shinrin-yoku, o governo japonês incorporou-o no sistema de saúde do país. Li, agora presidente da Society for Forest Medicine no Japão e autor de Shinrin-Yoku: The Art and Science of Forest Bathing, é o maior especialista mundial no tema. Segundo ele o shinrin-yoku deve ser encarado como um medicamento preventivo e não como um tratamento.

Six Senses Douro ValleyNo livro de Li é referido que as pessoas passam a vida cada vez mais dentro de casa: cerca de 80% da população do Japão vive em áreas urbanas, e o americano médio passa mais de 90% do tempo em ambientes fechados. Na Europa estima-se que mais de 75% dos seus habitantes passem 90 % do seu tempo sob um tecto artificial.  E aquilo que somos enquanto humanos, nada tem a ver com este contexto enclausurado.

Six Senses Douro ValleyEvoluímos conectados ao mundo natural, “ouvindo o vento e saboreando o ar”. O livro oferece também um conselho para a prática de shinrin-yoku“Certifiquem-se que deixam o vosso telemóvel para trás. Vocês vão estar a andar sem rumo e devagar. Não vão precisar de nenhum dispositivo electrónico. Deixem o vosso corpo ser o vosso guia. Ouçam onde ele vos quer levar. Sigam o vosso nariz. E tomem o vosso tempo. Se não chegarem a lado nenhum, isso não importa, uma vez que inicialmente não iam a lugar nenhum. Vocês estão a saborear os sons, os cheiros e as visões da natureza, deixando a floresta entrar.”

Six Senses Douro ValleyEste conselho é ainda mais importante em tempos de pós-pandemia. Os anos conturbados de 2020-2021 fizeram com que, mal fossem aliviadas as restrições relacionadas com o COVID, os parques, os bosques e as florestas fossem invadidos por pessoas sedentas de ar puro. Quem, como eu, costuma frequentar estes espaços sabe que  estão mais lotados do que nos tempos pré-pandemia.

Six Senses Douro ValleyMas mais importante que a minha opinião é a existência de diversos estudos científicos que chegam à mesma conclusão: os mergulhos na natureza tornaram-se mais frequentes em 2022 do que nos anos pré-pandemia. Curiosamente este efeito já havia sido observado na última grande pandemia que ocorreu em 1918.

Six Senses Douro ValleyEstar ao ar livre foi (correctamente) considerado mais saudável do que dentro de casa, e isso semeou uma onda de acampamentos ao ar livre, foi nessa altura que surgiram a maioria dos parques de campismo a nível mundial.

Six Senses Douro ValleyO certo é que, pelo menos desde 1970, já foram globalmente (e cientificamente) aceites inúmeros benefícios desta reconecção com a natureza:  a diminuição da pressão arteriala diminuição do stress, a atenuação dos sintomas da ansiedade e da depressão, estimulação e melhorias no humor, o melhoramento da função cognitiva e potenciação da empatia e da cooperação.

Six Senses Douro ValleyO modo como a natureza executa esta magia medicinal é ainda um pouco misterioso e nada consensual, mas, de acordo com um artigo publicado recentemente na revista Cognitive Research: Principles and Implications, parece haver uma evidência de que os ambientes naturais são capazes de nos darem exactamente a quantidade certa de estimulação para começarmos a reparar em coisas que anteriormente nos escapavam.

Six Senses Douro ValleyO som de um rio, um pôr do sol atrás de uma montanha, ou o cheiro da terra molhada após a chuva, são fenômenos que captam o nosso interesse, mas não exigem a atenção concentrada (e até um pouco egoísta) requerida pela maioria das atividades lúdicas, como ver um filme ou ler um livro. Estar na natureza parece dar permissão ao cérebro para relaxar, apenas existir e perceber porque existe.

Six Senses Douro ValleyParadoxalmente, há algo na natureza que nos ajuda a ficar mais atentos e que melhora a nossa relação com os outros, pois deixamos de estar focados em nós mas sim nas pessoas com quem interagimos. Outro estudo curiosíssimo publicado em 2018 no Journal of Social and Personal Relationships revela que normalmente são necessárias pelo menos 200 horas de conversa com alguém para que o nosso cérebro o passe a guardar na “gaveta de amigos”.

Six Senses Douro ValleyQuando a conversa ocorre em contexto natural, num parque, numa floresta, num bosque, numa praia ou nas margens de um rio, essa “exigência” baixa para 130 horas, pois estamos mais focados, mais conectados. Quando se adiciona comida a essas conversas significativas em contexto natural, é promovida uma conexão ainda mais profunda, são libertadas endorfinas no cérebro, surgem gargalhadas, afectos e o tempo requerido baixa para 90 horas.

Six Senses Douro ValleyEsta relação entre a comida e a natureza faz-nos entrar num ciclo vicioso, pois cultivar a nossa própria comida ajuda a reconectarmo-nos com a natureza à medida que aprendemos a abraçar as estações, o solo, a água e a luz do sol que, em conjunto, fazem com que os nossos alimentos cresçam. Quero com tudo isto dizer que a nossa relação com a natureza (ou a ausência dela) vai condicionar a nossa saúde, o nosso humor, o modo como nos relacionamos com os outros e até a maneira como encaramos a comida. Quase que nos dá um sexto sentido. Quase? Ou será que dá mesmo?

Six Senses Douro ValleyÉ hoje unanimemente aceite que todos temos, pelo menos,  cinco sentidos: o tacto, o olfacto, a visão, a audição e o paladar. Mas pode ser que exista mais um sentido que nos ajuda a interagir com o mundo à nossa volta. Um estudo publicado no New England Journal of Medicine (prometo que é o último de hoje ;)) sugere que possuímos um gene chamado PIEZO2, que é responsável por nos ajudar a fazer o reconhecimento espacial do nosso corpo durante as nossas acções e que também controla aspectos específicos do toque. Funciona como um sexto sentido que nos dá uma maior consciência do mundo à nossa volta.

Six Senses Douro ValleyTestes clínicos efectuados em pacientes que exibiam características neuromusculares e psicológicas distintas mostraram que este sexto sentido, surgia mais naqueles pacientes em que os outros cinco sentidos se encontravam mais desenvolvidos, e que esse desenvolvimento mostrava uma forte relação com práticas relacionadas com shinrin-yoku.

Six Senses Douro ValleyNão sei se o nome da cadeia hoteleira Six Senses tem algo a ver com isto, provavelmente não, mas que o Six Senses Douro Valley tem muito a ver com esta abordagem holística da vida, com toda a certeza, afirmo que sim.

Six Senses Douro ValleyPor ali chegou-se à conclusão que neste mundo de desconexão, a reconexão não acontece sozinha. Temos de decidir como nos conectar e com quem nos conectar. Por lá embarcamos numa jornada de descoberta através do nosso corpo, da nossa mente e do nosso coração para nos conectarmos com os outros e desenvolver o amor pelo mundo natural.

Six Senses Douro Valley: Pequeno AlmoçoLocalizada no vale do Douro, classificado pela UNESCO como património da Humanidade, esta propriedade de oito hectares onde está situado o Six Senses Douro Valley foi tocada pelo romance da arquitectura do século XIX num casamento perfeito com o design de interiores que reflecte o inimitável estilo da Six Senses.

Six Senses Douro Valley: Pequeno AlmoçoSix Senses Douro Valley possui 60 quartos e suites distribuídos pelas categorias de quartos Quinta Superior, Quinta Deluxe e Quinta River até espaçosas suites, Quinta Suite, Quinta Panorama, Courtyard, Rooftop e Vineyard suites. A partir de 1 de Julho passam a estar disponíveis mais nove quartos e suites Valley e duas villas com piscina.

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