Mousse de chocolate e café em casca de laranja

A experimentar

O artigo foi originalmente publicado em Lume Brando

Mais uma semana, mais uma voltinha pelas prateleiras da secção de culinária da Livraria Bertrand. Este é já o 10º post no âmbito da rubrica #dizmeoquelês, dedicada a todos os que, como eu, adoram livros de cozinha. E hoje, voltamos à culinária “convencional”. Não sei se este é o termo mais apropriado, mas com tantas dietas e regimes alimentares na ordem do dia, às vezes fica difícil definir a cozinha e as receitas que se enquadram num regime sem restrições, à moda das nossas mães e avós, mas onde, a partir de uma base clássica, cabe uma pitada de fusão e criatividade. Que nome dariam a esta cozinha? Fica o desafio!

“A SENTADA”: O LIVRO DESTA SEMANA DO #DIZMEOQUELÊS

Andava com curiosidade para conhecer o livro de Sandra Nobre e ainda bem que o escolhi para a rubrica. Através dele, fiquei a saber imensas coisas sobre a autora, como por exemplo o facto de ser uma chef formada pela conceituada escola Le Cordon Bleu, primeiro na África do Sul e depois em Londres. Um percurso trilhado numa fase já ‘madura’ da sua vida, o que prova que nunca é tarde para seguirmos os nossos sonhos. E fiquei finalmente a saber o que significava o nome do programa (não, nunca me deu para fazer uma pesquisa no Google, mas a verdade é que me intrigava). Uma “sentada” (termo luso-africano) é um convívio à mesa, uma refeição demorada e recheada de petiscos, uma jantarada entre amigos ou família, que se prolonga entre conversa e comida. Agora, faz todo o sentido, não?

Adianto já que gostei muito do livro. Está organizado por menus com três receitas cada um, agrupados de acordo com as estações do ano, com o bónus de quatro receitas de cocktail para brindarmos ao início de cada estação.

Percebe-se que Sandra – “angolana de gema, mas de origens portuguesas, cabo-verdianas e norueguesas” – é bastante viajada, e partilha connosco o saber e os sabores que foi descobrindo ao longo dessas vivências. Assim, no livro, há os menus “Holandês”,  “Sueco”, “Italiano, “Austríaco”, “Grego”, “Francês”, “do Médio-Oriente”, entre muitos outros, sem esquecer o “Menu Vegetariano”, o “Menu de Natal” ou o inusitado “As receitas preferidas da família real britânica.”

CASCAS DE LARANJA: UMA FORMA CRIATIVA DE SERVIR A MOUSSE DE CHOCOLATE

Este é, verdadeiramente, um livro de receitas. À exceção dos prefácios e de uma apresentação, na primeira pessoa, da autora, não há dicas, listas de utensílios, teorias sobre organização doméstica ou informação sobre ingredientes (o que agradecemos, porque já há muitos outros livros que têm estes conteúdos). Mas há um textinho que apresenta cada receita, através dos quais aprendemos imensas curiosidades, como uma lenda da sorte italiana associada aos Gnocchis, a origem da salada Niçoise ou a influência da cozinha flamenga e malaia na África do Sul.

RESUMINDO:

A Sentada”, de Sandra Nobre, é um livro apelativo, com uma encadernação diferente do habitual (tenho algum receio de que a lombada em argolas, tipo espiral, possa revelar-se pouco prática com o uso). Há fotografias bonitas, de Silvia Ramirez, para todas as receitas, que, pelas minhas contas, são 70, maioritariamente entradas, pratos principais e sobremesas. Apresentam variedade no que diz respeito a ingredientes e formas de confeção e seguem uma cozinha de base clássica, com alguns apontamentos mais contemporâneos e originais.

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MOUSSE DE CHOCOLATE EM CASCA DE LARANJA

RECEITA ORIGINAL: LIVRO “A SENTADA”, DE SANDRA NOBRE

INGREDIENTES

PARA 4

2 laranjas bonitas

2 ovos L

160 g de chocolate negro partido em pedaços

10 g de manteiga

1/2 chávena de café espresso

10 ml de licor de laranja (usei Cointreau)

1 colher de chá de açúcar amarelo (adição minha, não faz parte da receita original)

1 pitada de sal

 

PARA DECORAR

Raspas ou pepitas de chocolate negro qb

Folhinas de hortelã

 

MÉTODO

Parte a meio as laranjas, espreme-as e aproveita o sumo para beber.

Com cuidado, retira as peles do interior da casca.

Leva ao lume em banho-maria o chocolate, a manteiga, o açúcar, o licor e a pitada de sal.

Entretanto, parte os ovos e separa as gemas das claras, colocando estas na taça da batedeira.

Quando o chocolate estiver bem derretido e os restantes ingredientes bem incorporados, retira do lume e junta uma gema de cada vez, mexendo bem. Reserva, até para que arrefeça um pouco.

Bate as claras em castelo.

Começa por juntar 1/3 das claras à mistura de chocolate e mexe. Depois, vai envolvendo, suavemente as restantes claras.

Se quiseres usar bico pasteleiro para encher as cascas, leva ao frigorífico primeiro, para prender – a minha mousse ficou cerca de duas horas no frigorífico, antes de ser colocada nas cascas.

Retira a mousse do frio, coloca-a num saco de pasteleiro munido de um bico largo frisado e enche as cascas.

Leva ao frigorífico até ao momento de servir, altura em que podes salpicar com raspas de chocolate e decorar cada taça com uma folhinha de hortelã.

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