Bons restaurantes para comer leitão

A experimentar

Há muito mais do que leitão à mesa destes nove “templos” dessa especialidade tão apreciada no nosso país – mais além da Bairrada que é, em si mesma, toda ela um santuário desta iguaria. Não chegariam várias edições para ela. Assim, escolhemos algumas boas mesas além da Bairrada, onde há, como poderá constatar nas páginas seguintes, histórias de empenho e união familiar, de recomeços de vida, de paixão pelo saber-fazer e insistência no domínio da técnica de bem temperar e assar o bácoro. Este é um tema de capa para fervorosos ou ocasionais apreciadores, e pode ser controverso nos tempos que correm, mas a defesa da diversidade também se pratica ao nível do gosto e da mesa. Bom apetite!

Atenção aos detalhes é o segredo do Monte dos Leitões, em Guimarães

O empresário Manuel Matos, em 2006, geria sete empresas, a maioria delas ligadas ao setor automóvel, mas nenhuma lhe preenchia a paixão pela cozinha. Numa análise à oferta gastronómica da cidade-berço, concluiu que faltava um bom restaurante de leitão e avançou. RD

A nossa relação com a restauração era apenas por ajudarmos uma irmã minha que tinha um restaurante”, lembra Manuel Matos. E foi essa a razão para ir contratar quatro profissionais com vários anos de experiência no setor à Mealhada. “O pai de um deles era construtor de fornos e esteve aqui várias semanas para construir os nossos”, recorda.

A casa serve leitão no prato e em sandes.
(Fotografia: Miguel Pereira/Global Imagens)

O resultado dessa boa coincidência foram os seis fornos do Monte dos Leitões, com capacidade para quatro animais cada. “Sempre alimentados com lenha de eucalipto”, destaca o empresário, para quem a lenha é um dos segredos para um bom resultado. O mesmo se aplica à carne – “Só usamos leitão bísaro”, acrescenta. A atenção aos detalhes estende-se ao pão, denso e fofo, que é servido na mesa e também serve para fazer as sandes. “A massa vem de Leiria e é cozido aqui”, explica.

Os animais são assados em fornos a lenha.
(Miguel Pereira/GI)

O sucesso foi imediato e, poucos meses depois de abrir, não era invulgar ter as duas salas preenchidas, num total de 400 lugares. O Monte dos Leitões também trabalha em takeway e, em alturas como o Natal, Ano Novo e a Páscoa, a fila à porta prolonga-se por centenas de metros. Nesses dias, já chegaram a assar mais de 300 leitões.

A refeição começa com rissóis, paté e folhado de leitão. A dose para duas pessoas (28 euros) é generosa e inclui as tradicionais batatas fritas (descascadas e cortadas na cozinha). Para quem não gosta de leitão e vai só acompanhar, a chef Conceição Santos prepara outros pratos populares, que vão das papas de sarrabulho e do polvo à lagareiro ao vulgar frango assado, “mas com um toque especial”. Saem também das mãos de Conceição o docinho formigas e os bolos caseiros de maçã com canela e de laranja, com fruta aos pedaços.

Mapa da ficha ténica
MORADA
Travessa de S. Mamede, 225, Monte Largo – Azurém, Guimarães
TELEFONE
913056770
HORÁRIO
Terça das 19h às 22h, quarta a domingo das 10h às 15h e das 19h às 22h. Encerra à segunda.
CUSTO
() Dose de leitão (duas pessoas) 28 euros; sandes de leitão 6 euros; rissóis de leitão 0,80 euros (cada); sobremesas 4 euros.


 


Leitão do Flor do Ave, na Trofa, atrai clientes até de Espanha

De pequeno restaurante que servia sobretudo pratos de bacalhau, o Flor do Ave, na Trofa, tornou-se numa referência do leitão assado, no final dos anos 1980. Hoje, tem clientes de todo o país e do país vizinho. LM

No início dos anos 1980, Artur Azevedo tinha 20 ou 21 anos e, como o próprio diz, “já estava na altura de fazer alguma coisa”. Natural da Trofa, este filho do dono de um supermercado alinhou com os pais em abrir um restaurante. “No início, não tínhamos experiência nenhuma de restauração, mas experimentámos”, conta. A casa abriu a 19 de março de 1983, metade café, metade restaurante, ainda sem leitão na carta.

Desde logo, apostaram em especialidades tradicionais, principalmente de bacalhau, que ainda hoje continuam a ser alguns dos pratos mais pedidos – com broa, à Zé do Pipo ou à Braga. Foi após uma visita a um amigo na Mealhada, meia dúzia de anos depois, que decidiram mudar de rumo. “Foi ele que nos incentivou. Ele tinha um restaurante onde jantámos e na mesa ao lado estava aquele que disse ser o ‘melhor assador da Mealhada’. Falámos com ele – o Garcias – e trouxemo-lo para cima. Ficou na casa meia dúzia de anos e o sogro de Artur aprendeu a assar com ele. “É até hoje o nosso assador”, refere.

O leitão tornou-se na especialidade da casa.
(Fotografia: Telmo Pinto/GI)

Na Trofa não havia nenhum espaço dedicado ao leitão, por isso, o negócio começou devagar. “Assávamos um leitão ao meio dia e outro à noite e dávamos a provar aos clientes. Foi de boca a boca e na própria mesa que foi crescendo e hoje tem dias que assamos até 200”, conta Artur. O prato original da Mealhada superou os outros em termos de prestígio e tornou-se a especialidade da casa. Começaram com dois fornos a lenha e agora são 22.

A família também foi crescendo e além de Artur e o irmão Fernando, o filho do primeiro, Marco, também já toma conta do negócio. A família chegou mesmo a criar leitões na sua quinta, mas não conseguiam ter animais suficientes e agora trabalham com quatro fornecedores. Mas continuam a ter a quinta onde criam animais como galinhas e gado, com que fazem os outros pratos de carne que aqui servem, como o costeletão, a vitela, a posta, o cozido à portuguesa ou o arroz de cabidela.

A casa chega a assar 200 leitões por dia.
(Fotografia: Telmo Pinto/Global Imagens)

Quanto ao leitão servido naquela casa trofense, é iguaria que tem os seus truques. Antes de ir a assar é recheado com um molho – o mesmo que depois acompanha o prato e cuja receita é segredo – e fica no forno duas horas. É acompanhado por batata frita às rodelas e salada com laranja. No copo, os espumantes da Bairrada, ou mesmo do Douro, brilham com o prato.

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