A pandemia vai mudar os restaurantes?

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Em Portugal, oito em cada 10 restaurantes registaram perdas de, pelo menos, 25% em 2021 face a 2019. Nos EUA, cerca de 100 mil estabelecimentos fecharam portas desde 2020. Que cenários deixa adivinhar a História da Restauração?

Há pouco mais de 200 anos, os restaurantes como hoje os conhecemos eram um projeto em construção, descendentes dos bares, e onde a comida chegava mais para evitar que as pessoas se embriagassem do que para servir de espaço social.

Na verdade, os arqueólogos conseguiram identificar alguns snack-bar nas ruínas da cidade de Pompeia, destruída pela erupção do Vesúvio no ano de 79 A.C., tal como datam do século XII alguns bares com pratos prontos a comer em Londres.

Também as estalagens que ladeavam as estações de caminho de ferro em redor da Europa e nos EUA serviam refeições quentes aos viajantes, mas era basicamente essa a sua utilidade: resolver um problema temporário, em mesas comunitárias. As pessoas entravam, comiam, pagavam e saíam.

Há relatos, em algumas cidades, de algo parecido com as cantinas sociais que hoje conhecemos, importantes para homens deslocados que se encontravam a trabalhar, por exemplo, longe da família, e que por um preço baixo permitiam que comessem refeições retemperadoras – muito devido aos menores custos da cozinha em grandes quantidades.

No entanto, foi preciso esperar até meados do século XIX para a chegada do capitalismo transformar os restaurantes em lugares de encontro e socialização dignos das elites – até aí, eram sítios para os mais pobres, porque quem tinha dinheiro preferia o conforto e o luxo da sua própria casa, onde os empregados se dedicavam a fazer as suas comidas favoritas e as limpezas consequentes.

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