“A indústria está consciente que se não aumentar o preço do leite vai receber menos leite”

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Jorge Rita, presidente da Federação Agrícola dos Açores aponta a necessidade das indústrias continuarem a subir o preço aos produtores. Afirma que este ano será marcado por uma mudança de paradigma na lavoura, com a estimativa de redução de 50 milhões de litros de leite.

Tinha definido um prazo, até ao final do ano, para as indústrias subirem o preço à produção. Acabou por ser anunciado um aumento de três cêntimos. Como é que analisa esta subida?

Reagimos de uma forma positiva à subida do preço do leite. Fizemos um ultimato às indústrias do leite. O aumento de três cêntimos está alinhado com a subida a nível nacional, mas nem todas as indústrias aumentaram o preço de forma linear. Cada indústria teve uma estratégia de subida diferente uma das outras, no que se refere à valorização dos sólidos e do preço base.

As indústrias tinham a possibilidade de subir o preço do leite mais cedo, mas lamentavelmente não o fizeram. Esta situação agravou a descapitalização do setor. Mais de 80% dos produtos lácteos dos Açores são vendidos no mercado nacional. A grande concorrência é com a Lactogal, que aumentou 1,5 cêntimos em outubro, vindo depois a aumentar mais três cêntimos em janeiro de 2022.

Na Região, o Governo com o entendimento da Federação Agrícola, procedeu à atribuição de um apoio de 1,5 cêntimos, quando percebeu que as indústrias não iriam subir o preço aos produtores. Foi uma decisão muito boa do Governo Regional.

Agora, o aumento do preço do leite, em 2022, não é suficiente para colmatar os aumentos contínuos dos custos de produção. Continuamos numa situação de défice e a nossa expectativa é que haja novos aumentos do preço do leite.

A Insulac anunciou que irá distribuir retroativos, referentes ao último trimestre de 2021. Isto é um sinal que as indústrias poderiam ter subido mais cedo o preço do leite.

Reconhecemos que a indústria tem a dificuldade na negociação com a distribuição, mas é importante que os preços não sejam esmagados pelo setor da distribuição. É que o reflexo final desta situação é sentido pelos produtores.

Continuamos a apresentar o preço de leite mais baixo da Europa. Isto não é aceitável. Também não aceitamos que a indústria durante as negociações com a distribuição, tenha receio que venha leite da Europa. Não existe leite disponível na Europa. Isso é uma grande farsa. Nenhum país da Europa vai vender leite mais barato para Portugal, quando a média do preço pago ao produtor ronda 40 cêntimos/litro. Se existir uma venda de leite da Europa para Portugal, abaixo do preço de custo, cometem uma prática ilegal de dumping. As entidades oficiais precisam de agir rapidamente, penalizando brutalmente esta situação.

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