Haverá vinhos do outro mundo?

A experimentar

Júpiter.

O que separa um vinho de dez e de mil euros? Qualidade, status, perceção de gosto ou perspetiva de valorização? A pretexto do lançamento do Júpiter, vinho de talha alentejano lançado a mil euros na estreia da coleção “Wines From Another World”, refletimos acerca do mercado dos vinhos de luxo, ensaiamos ângulos de análise sobre vinhos que valorizam ou que o mercado trata de especular. Investimento, luxúria, novo-riquismo… As ilações serão do leitor.

Vincent van Gogh pintou dezenas de quadros que hoje são considerados obras-primas do pós-Impressionismo. Alguns estão entre os mais apreciados da história. Porém, o holandês viveu toda a vida no anonimato, convivendo com fragilidades de índole pessoal e até alguma demência, tendo-se suicidado aos 37 anos. Em vida não saiu da obscuridão artística, não alcançou reconhecimento, vendeu pouco mais que nada.

Quantos outros artistas, de tantas outras artes, confrontaram-se com uma vida de desencanto que, anos volvidos, acabou recontada de outra forma?
A valorização de peças artísticas ou da esfera do gosto individual é sempre ingrata. Nas artes plásticas, na música, no teatro, no cinema, na generalidade das expressões culturais, por vezes até nos ofícios.
Pagar 150,00€ por um menu de degustação da autoria de um criativo chefe de cozinha pode ser tão descabido para alguns como adquirir um automóvel de 150.000,00€ para outros. Ora bolas, comida é comida e há bem mais barato, de boa qualidade e em doses mais substanciais; e um carro é um carro, basta ter bom motor e ser fiável.
Usa-se e abusa-se da expressão “mercado do luxo”. A verdade é que ele existe, incluindo nos países menos desenvolvidos, onde chega a ser mais ostensivo. Há ricos, milionários e bilionários, há novos ricos, há excêntricos e há bons vivants, tal como há simplesmente quem goste de cometer alguns pecados, de longe a longe, à medida das ocasiões e das possibilidades da carteira. O vinho não é exceção.

Os mais conhecedores e curiosos da causa entenderão aceitável pagar 100,00€ por um vinho ao qual reconhecem qualidades muito particulares. Aqueles que entendem o vinho à luz da importância de um refrigerante certamente acharão esse valor absurdo, na medida em que os mesmos 100,00€ permitiriam adquirir algumas caixas de vinhos de preço inferior. Branco é branco, tinto é tinto, o resto são balelas – pensarão certamente. Mas, nem todos somos iguais ou pensamos da mesma maneira.

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