O título deste artigo é o nome do novo vinho branco do produtor Casimiro Gomes mas também a razão pela qual os vinhos da marca Regateiro existem. Uma profunda relação e respeito familiar que perduram até hoje.  

Afamília de Casimiro Gomes produz vinhos em Aguada de Cima há mais de 300 anos, razão pela qual o produtor decidiu criar uma marca para fazer perdurar a memória do seu avô paterno,  Manuel, de sobrenome Regateiro, que possuía vários fornos cerâmicos para produção de telhas na região. No entanto, tal como tantas outras famílias, os Regateiro cultivavam vinhas e produziam vinho para consumo caseiro, mas também para restaurantes dos arredores. Foi esse amor à vinha e ao vinho que fez com que Casimiro Gomes não continuasse o negócio familiar da produção de telhas e escolhesse antes estudar engenharia agrícola, para se tornar produtor de vinho.

Casimiro era ainda jovem e cheio de sonhos «não gostava do pó da cerâmica» e sentia o vinho a correr-lhe nas veias. Dedicar-se à agricultura era, no mínimo, uma loucura na opinião da família. No entanto, esta loucura levou-o a ser hoje um dos produtores de referência a nível nacional, sendo o mais recente projecto a Lusovini, através da qual também distribui a marca familiar à qual actualmente dedica mais tempo. Se fosse vivo, o avô Manuel haveria de ficar orgulhoso, ao ver o sucesso dos vinhos e a  adega renovada em parte pelas próprias mãos do neto.  (na foto de entrada, Casimiro Gomes na adega com o filho mais novo, Manuel, e a enóloga Sónia Martins).

 

Parte das vinhas de família, junto à adega, em Aguada de Cima
Adega Regateiro
Loja da adega. Mobiliário e decoração foram feitas pelo produtor ao longo do tempo.

Antes de apresentar o seu novo branco na adega familiar agora remodelada, Casimiro mostrou o potencial dos seus vinhos Regateiro Reserva branco (2016, 2017, 2018, 2019) e o Regateiro Reserva tinto (2009, 2011, 2013, 2015). Ambos são produzidos com castas utilizadas na região, o branco com Arinto, Bical e Maria Gomes; e o tinto com Baga e Touriga Nacional. Não obstante as diferenças de cor e estilos, ambos revelaram um grande potencial de envelhecimento, com as colheitas mais antigas ainda a mostrar grande vivacidade, apesar das cores, aromas e sabores de evolução.

O novo Regateiro branco Raízes de Família não fugiu à regra e demonstrou ser um grande vinho. Após desengace total, fez-se a prensagem e a separação de mosto lágrima. Após a fermentação a baixa temperatura durante mais de 30 dias, estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês novas e usadas (1/3 do lote) e ainda ficou em garrafa durante 5 anos. No aroma revela já aromas de evolução e no paladar a sua estrutura, untuosidade e acidez surpreendem pela positiva. Agora que é lançado no mercado, irá certamente superar as expectativas de apreciadores de brancos mais evoluídos.

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