Pescadores, sargaceiros e moinhos na praia da Apúlia

A experimentar

Evasões | Ana Costa

É uma das praias mais queridas do Norte. O areal longo, protegido da nortada pelo cordão dunar com moinhos de vento, os barcos de pesca coloridos, a pequena lota e a marginal corrida a mesas com sabor a mar, fazem dela o refúgio de muitas famílias.

Quem entra na vila pela Avenida da Praia, antes de chegar ao areal é recebido por uma estátua, em frente à igreja de Nossa Senhora da Guia, a representar uma das figuras mais características da zona, o Sargaceiro da Apúlia. A apanha do sargaço, muito abundante naquela costa, era uma das principais atividades a que se dedicavam os habitantes locais durante o verão, e está muito associado ao folclore apuliense. O sargaço era seco e utilizado como fertilizante nos campos agrícolas das redondezas.

A praia da Apúlia, escondida entre Esposende e a Póvoa de Varzim, no extremo sul do Parque Natural do Litoral Norte, tem atraído muitos veraneantes ao longo dos anos, que encontram no seu estreito e longo areal refugiado no abraço de altas dunas, algum abrigo da nortada. Esses ventos fortes do Norte foram durante séculos o motor dos moinhos que ainda hoje vemos encavalitados nas dunas – existia outro núcleo mais a sul, que desapareceu com a erosão costeira -, agora desprovidos da sua função original e transformados em casas de férias. São acessíveis através de passadiços em madeira, de onde se tem vista privilegiada para o mar. Este cenário é o postal que se leva na memória da praia da Apúlia, um destino muito apreciado particularmente por famílias.

A riqueza em iodo é outro dos atrativos da praia, distinguida com Bandeira Azul pela primeira vez em 1987 e ininterruptamente desde 2003, atestando a qualidade da água. Ela atinge uma temperatura média da água 19 graus e é propícia à prática de alguns desportos aquáticos, como windsurf, kitsurf e pesca desportiva. Junto ao mar, as rochas criam pequenos charcos onde as crianças podem brincar, e na marginal há lugar para bares de praia, cafés e restaurantes, e até um campo de jogos ao ar livre e parque infantil. Por ali passa também um dos percursos do Caminho Português da Costa para Santiago de Compostela.

As barraquinhas listradas a azul e branco, os barcos de pesca coloridos e a pequena lota da Apúlia, na rua dos Sargaceiros, onde se vê chegar pela manhã cedo o peixe fresco, completam o quadro costeiro. Mais a norte, afastada do rebuliço da vila, na comunidade piscatória do lugar de Cedovém, a praia – não vigiada – parece quase selvagem. O pequeno bar de pescadores no cimo de uma duna é um dos tesouros que se encontra a caminhar pelo areal. Daí a nada entra-se no pinhal de Ofir, e adiante há mais praias a conhecer.

O QUE FAZER AO REDOR DA AREIA

# Comer peixe fresco e hambúrgueres
Na Apúlia Norte, a marginal de Cedovém é corrida a restaurantes que trazem para a mesa o que de melhor o mar dá: peixe grelhado e marisco são as estrelas. Já na zona sul, de frente para a praia, na Lanchonete Portuguesa os protagonistas são os hambúrgueres criativos. Tudo começou em 2015 com um projeto de street food que levava Clarinhas de Fão, limonadas e sumos naturais às praias de Esposende. Nesse mesmo ano, a Lanchonete Portuguesa encontrou poiso fixo na Apúlia, e começou a dedicar-se aos petiscos. O hambúrguer de “Baca”, em bolo do caco, é um dos mais populares, mas todos os meses há uma nova combinação para conhecer. “O último tinha foie gras”, recorda Daniel Cepa, o mentor do projeto. Aos hambúrgueres juntam-se ainda tacos, costeletão e a afamada sangria de espumante, feita na mesa, assim como limonadas e sumos de fruta.

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