Bolo de ananás invertido

A experimentar

Por mais que me esforce, não consigo resistir a livros com receitas de bolos. Nada a fazer.

Desta vez, quem me piscou o olho foi o Amor em fatias do chef Gilberto Costa.

[Curiosidade: descobri que no Porto há uma casa de chá com o mesmo nome, “Amor em Fatias”, mas pelo que li não tem nada a ver com o Chef Gilberto Costa.]

Este é já o terceiro livro deste autor. Não conheço os anteriores, sei que um é de receitas de bolachas e biscoitos, outro de sobremesas ‘equilibradas’, intitulado Prazer sem Pecado.

Natural dos Açores, Gilberto Costa tem o Curso Profissional de Cozinha e Pastelaria da Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril, a par da licenciatura em Produção Alimentar na Restauração e do Mestrado em Segurança e Qualidade Alimentar na Restauração. Atualmente é docente na Escola de Hotelaria e Turismo do Estoril, sendo convidado com frequência para eventos e programas televisivos.

DIZ-ME O QUE LÊS, DIR-TE-EI O QUE COMES #26

“AMOR EM FATIAS” – GILBERTO COSTA – A ESFERA DOS LIVROS*

No Amor em Fatias encontramos 70 receitas de bolos “das nossas avós que nos fazem viajar no tempo”, organizadas pela sua origem:

  • Alemanha
  • Áustria
  • Bélgica
  • Brasil
  • França
  • Grécia
  • Inglaterra
  • Portugal – Açores
  • Portugal – Alentejo
  • Portugal – Algarve
  • Portugal – Beira
  • Portugal – Douro e Minho
  • Portugal – Estremadura
  • Portugal – Madeira
  • Portugal – Trás-os-Montes e Alto Douro
  • Suécia
  • Suiça

Algumas das receitas são já bastante conhecidas e comuns, outras são mais originais e apelativas, como o Bolo de Chocolate Suiço, feito com discos da massa de palitos La Reine, creme de chocolate e chantilly, ou o Bolo Mimoso, do Algarve, que leva fios de ovos e tangerina cristalizada na massa, ou ainda o Bolo de Maçã com Cerveja.

É um livro muito simples e apenas de receitas. Não há extras, como receitas de cremes, recheios ou outras preparações “de base”, nem há capítulos mais teóricos ou técnicos sobre pastelaria. Mas, na verdade, também já há muitos livros que incluem esta componente, certo?

Se é o melhor livro de receitas de bolos que já vi? Não, até porque a descrição das receitas é muito sucinta, provavelmente por terem sido escritas por um chef de pastelaria, para quem a confeção dos bolos não tem segredo e sabe os detalhes de cor. As receitas não nos dizem, por exemplo, o tamanho das formas a utilizar.

Outro dos aspetos menos positivos é o facto das receitas serem bastante calóricas. Achei que, de uma maneira geral, as quantidades de açúcar poderiam ter sido reduzidas, sem comprometerem o resultado final.

Aliás, no bolo de ananás invertido que encontram mais abaixo, usei menos açúcar do que pedia a receita original e ficou ótimo. Acredito que o chef Gilberto Costa tenha querido manter-se fiel ao receituário original e, já se sabe, as nossas avós achavam que nos tinham de manter docinhos e rechonchudos.

RESUMINDO

Amor em Fatias é um livro simpático, especialmente dirigido a quem gosta de fazer bolos tradicionais e mimar os amigos e a família ao fim de semana ou nos dias de festa. Um livro para nos fazer viajar à infância e onde provavelmente vamos descobrir receitas que provámos em criança – ou os nossos pais  – e pensávamos perdidas para sempre. As fotografias são bonitas, mas por vezes o plano é tão aproximado que não nos permite apreciar o bolo da melhor maneira.

 

COMO SEMPRE, ESTA RUBRICA CONTOU COM O APOIO DA LIVRARIA BERTRAND, ONDE PODE COMPRAR E SABER MAIS SOBRE O LIVRO >>> BERTRAND ONLINE

BOLO DE ANANÁS INVERTIDO

Ligeiramente adaptado a partir do livro ‘Amor em fatias’, de Gilberto Costa

INGREDIENTES

Para 2 bolos com 16 cm de diâmetro

200 g de açúcar (para o caramelo)

Cerca de 14 rodelas de ananás em conserva (usei das latas pequenas do Lidl)

3 ovos (gemas + claras separadas)

180 g de açúcar

110 ml de azeite extravirgem suave

50 ml de sumo de ananás

150 g farinha de trigo sem fermento

10 g de fermento em pó

 

MÉTODO

Fazer o caramelo com 200 g de açúcar, num tacho de fundo espesso.

Mantenha o tacho tapado, para ganhar humidade e o açúcar não cristalizar. Levantar a tampa de vez em quando, rodar o tacho, para uniformizar, e retirar do lume quando atingir uma cor de caramelo âmbar, não demasiado escuro.

Dividir o caramelo pelo fundo das formas. Precisa de ser um processo rápido, para o caramelo não solidificar; se preferir, faça 100 g de caramelo de cada vez.

Untar as paredes das formas que não ficaram com caramelo, idealmente com spray desmoldante.

Distribuir as rodelas de ananás pelo fundo das formas e partir em pedacinhos o ananás restante.

Ligar o forno nos 180º.

Bater as gemas com o azeite e o açúcar. Juntar o sumo de ananás (aproveitado das latas) e o ananás em pedacinhos.

Adicionar a farinha e o fermento peneirados.

Bater as claras e e envolver suavemente no preparado anterior.

Distribuir pelas formas e levar a cozer durante cerca de 40 minutos – fazer o teste do palito para ver se está pronto.

Continue a ler o artigo em Lume Brando.

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