Da ilha do Pico para o mundo, com engenho e arte

A experimentar

De 1 a 27 de junho está a decorrer a nona edição do Azores Fringe Festival, que tem a ilha do Pico por epicentro. Ao todo, são mais de 200 eventos artísticos, culturais e gastronómicos, que envolvem mais de dois mil participantes. No centro de tudo, o filho de emigrantes açorianos no Canadá que voltou à terra e se apaixonou.

Anda pela ilha com a agilidade de quem lhe conhece os segredos. Os da montanha e os do mar, mas também os dos seus habitantes, desde as irmãs Neves que encantaram Amália Rodrigues com peças de artesanato feitas com escamas de peixe pintadas, ao jardineiro do mais belo jardim do Pico. Terry Portugal Costa, nascido em Oakville, Canadá, dois meses depois da Revolução de Abril (“porque os pais, ainda marcados pela guerra colonial, temiam mandar filhos para a tropa”), corre as estradas da ilha no seu carro, sempre cheio de papéis, livros e dos materiais coloridos que, nas mãos de alguém, se hão de transformar num objeto com histórias para contar. Para em casa dos ceramistas holandeses que há uns anos escolheram os Açores para viver e, logo a seguir, visita Helena Amaral, a professora aposentada que criou, por toda a ilha, um trilho de sorrisos esculpidos na pedra. Também sabe qual é o melhor vinho do Pico e em que restaurantes se come o melhor atum braseado, que, para ele, tem de ser mal passado, “quase sushi”, diz.

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