Herdade da Lisboa lança gama de monovarietais

A experimentar

Adquirida pela Família Cardoso em 2011, a Herdade da Lisboa foi alvo de investimentos nos últimos anos, destacando-se a construção de uma moderna adega. A novidade mais recente são os novos topos de gama monovarietais. 

À medida que nos aproximamos da nova adega da Herdade da Lisboa, na Vidigueira, passamos pelas vinhas e vemos o edifício de linhas rectas a desenhar-se no horizonte. O novo espaço inclui uma cave de envelhecimento de vinhos, sala de provas, loja e uma sala para reuniões e eventos com capacidade para 150 pessoas. Este projeto engloba ainda a construção de um restaurante, de um museu agrícola e de uma unidade de alojamento turístico na herdade, que serão uma realidade nos próximos anos. Mas para já, a propriedade centra os seus esforços na produção de vinhos de qualidade, tendo lançado recentemente uma nova gama, uma coleção premium de vinhos varietais, edições limitadas e exclusivas do melhor de cada casta, em cada ano.

«Esta gama está pensada para sair apenas em anos excepcionais, quando as castas atingem a sua maior expressão» explica Ricardo  Xarepe Silva, o enólogo «pode ser uma casta branca ou tinta, nacional ou internacional, não importa. O que importa é como se comportou na vinha e deu origem a um vinho de grande qualidade que traduz o nosso terroir», remata.

Dos 350 hectares existentes, 100 são de vinha. Quando a família Cardoso adquiriu a propriedade, 80 hectares já existiam mas foram entretanto revitalizados, e outros 20 hectares foram plantados. No total, existem 15 variedades no terreno, nacionais e internacionais. Para a estreia da gama, a Herdade da Lisboa apresenta o branco Viognier 2019, o rosé Touriga Nacional 2019 e o tinto Trincadeira 2019. Embora diferentes entre si, existe uma característica que marca o perfil destes vinhos e que, segundo o enólogo, é a sua «grande frescura e mineralidade». Além disso, defende ainda que «são vinhos gastronómicos, com um estilo de enologia pouco interventiva. A ideia é interpretar em cada ano o que a vinha dá». Integrando a marca que notabilizou a Herdade da Lisboa nos anos 80, o Paço dos Infantes Chardonnay 2020 é outras das novidades desta primavera.

À direita, Ricardo Silva (Enólogo) com Joaquim Cândido da Silva (Director de Projecto)

Uma família empreendedora

Passados os primeiros anos, dedicados à reestruturação e qualificação da herdade, de formas sustentável, a família Cardoso decidiu então avançar para a produção de vinhos. «Acreditamos que este é o modo de respeitar o legado desta herdade, berço dos vinhos Paço dos Infantes, um clássico do Alentejo e de Portugal dos anos 80, e de acrescentar valor ao património agrícola existente» defende Joaquim Cândido da Silva, reconhecido empresário com grande experiência no sector dos vinhos, que deixou a sociedade na distribuidora Portfolio para ser diretor de projeto da Família Cardoso.

A entrada da Família Cardoso no sector do vinho aconteceu associada à cultura do olival. Esta família com origens no Ribatejo tem vindo a adquirir, nos últimos anos, propriedades de olival e vinha. Estes investimentos acabaram por trazer o desenvolvimento da área de negócios relativa à produção e comercialização de vinhos e azeites de qualidade.

Interior da adega
Àrea de vinificação
Cave de barricas

Actualmente, a Família Cardoso possui 700 hectares de olival, 300 hectares de vinha e 400 hectares de floresta e outros cobertos vegetais autóctones de Portugal, distribuídos pelo Alentejo, Ribatejo e Douro. A Herdade da Lisboa possui uma área total de 350 hectares, dos quais 100 hectares são de vinha. O portfolio é já bastante diversificado e está organizado em quatro gamas de vinhos: Convés (branco, tinto, rosé e espumante), Infantes (tinto e branco) e Paço dos Infantes (rosé, Reserva branco, Antão Vaz e Touriga Nacional). A gama Herdade da Lisboa agora lançada inclui os atuais vinhos de topo do projeto.

O artigo foi publicado originalmente em Maria João de Almeida.

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