Jorge Monteiro: “A Organização Mundial de Saúde está a cerrar o cerco ao setor do vinho”

A experimentar

O fundamentalismo anti-álcool e as mudanças no mercado introduzidas pela necessidade de reduzir a pegada carbónica são os grandes desafios do futuro pós-pandemia, acredita o presidente da Associação de Vinhos e Espirituosas de Portugal

As empresas de vinho estão, ainda, a sentir os duros efeitos da covid-19, mas há que preparar já o futuro, aplicando mais verbas no apoio ao armazenamento de vinhos e, sobretudo, no reforço da promoção internacional e não na destilação de crise, diz o presidente da ACIBEV, na sua primeira entrevista no cargo. Jorge Monteiro tem mais de duas décadas de experiência no setor do vinho, tendo passado pelo Instituto dos Vinhos do Douro e Porto e pela ViniPortugal. A ACIBEV conta com 88 associados, responsáveis por um volume de negócios anual de 600 milhões de euros e 2.400 postos de trabalho diretos. Indiretos são 200 mil.

Catorze meses de pandemia passados, como está o setor?
O impacto foi muito assimétrico. Sabemos que quem exporta mais e se reparte entre distribuição e restauração, aguentou melhor. No mercado nacional, os dados do primeiro trimestre, deixam-me alguma preocupação. O preço médio caiu 26%, tenho receio que seja um sinal de fadiga, de empresas que até hoje se foram aguentando, mas já estão no limite. Quero crer que no próximo trimestre os sinais possam ser positivos, até porque temos informação de que o nível de encomendas subiu muito com o fim do confinamento.

Já as exportações cresceram 3%.
Foi uma verdadeira prova de fogo e acho que o setor mostrou uma resiliência muito grande, num ano em que o consumo mundial caiu. E se olharmos para o top 10 dos principais mercados, conseguimos reforçar quota em quase todos. Claro que podemos dizer que beneficiámos da penalização dos EUA às importações de França, Espanha e Alemanha, mas a verdade é que tínhamos um mercado tradicional muito importante, que era Angola, e que em seis anos desapareceu, e as empresas têm sabido mostrar uma capacidade de adaptação às circunstâncias e às condições de mercado muito grande. E isto dá-nos razões para ficarmos entusiasmados. Mas quando a covid acabar, as mazelas vão ficar.

Continue a ler o artigo em Dinheiro Vivo.

Últimas