Uma história com final feliz: pela saúde de todos

A experimentar

Nos capítulos da história moderna, em particular nas últimas décadas, denota-se uma clara melhoria das condições de vida, uma alteração dos padrões de doença e um aumento da cobertura de cuidados de saúde, com modernização e qualidade dos meios.

Ainda assim, e por estranho que possa parecer, existe uma prevalência elevada de doenças crónicas, como a obesidade, a diabetes, as doenças cardiovasculares e o cancro. Estas continuam a ser das principais causas de morte em todo o mundo — e Portugal não é exceção. Vivemos mais anos de vida, mas menos anos de vida saudável. O desfecho não nos parece, de todo, um final feliz. 

A atual situação pandémica pode ter agravado esta história. Ao reconhecermos que estas doenças crónicas têm relação com a alimentação, ao termos conhecimento que, em Portugal, cerca de 40% da população admite ter mudado a sua alimentação para pior, isso faz-nos prever um resultado que em nada contribui para vidas saudáveis e felizes. 

Atualmente, mais de 20% da população tem obesidade, aproximadamente 40% tem hipertensão e o número de indivíduos com diabetes tem vindo a aumentar consideravelmente, ultrapassando os 10%. Perante isto, a questão que se impõe é: ainda vamos a tempo de alterar o rumo da história? 

Parece-nos evidente que sim. Com o esforço de todos, em particular dos nossos governantes — com quem tanto temos insistido para que olhem para esta realidade e reconheçam que o número de nutricionistas é insuficiente nos serviços públicos de saúde e que há uma clara necessidade de se intervir a favor da promoção da alimentação saudável, nas políticas públicas — , as coisas podem mudar. 

Esta pandemia permitiu-nos sublinhar, também, a importância da alimentação na doença aguda. Lembremo-nos que o suporte nutricional destes doentes, aquando do seu internamento, revela-se fundamental para a melhor evolução e recuperação. E os indivíduos com obesidade são um dos grupos mais vulneráveis à infecção por COVID-19.

É inegável que os nutricionistas são indispensáveis no tratamento e na prevenção das doenças crónicas que estão, como vimos, relacionadas com a má alimentação.

E nem a propósito, neste mês de maio, assinala-se o mês do coração. Não deixemos passar mais um mês, mais um ano, mais uma década nesta história. Na história de vida de todos nós.


Alexandra Bento
Bastonária da Ordem dos Nutricionistas

 

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