Saudades e emoção na reabertura das esplanadas: “Vieram-me as lágrimas aos olhos ao ver esta animação”

A experimentar

As saudades que todos já tinham. Desde manhã cedo e à medida que o calor primaveril aumentava as esplanadas de Lisboa ganharam clientes e acabaram por encher naquele que foi o primeiro dia de reabertura após o segundo encerramento decretado pela força da pandemia de covid-19.

Ainda não eram 7h00 da manhã e já Francisco Carvalho, gerente de “O Meu Café”, no jardim da Parada, no centro de Campo de Ourique, tinha a esplanada montada. Tinha também, à espera, vários clientes habituais, de máscara posta, prontos a ocupar uma cadeira e “beber um café, sossegados e em liberdade”. A casa abriu em 1953 e Francisco Carvalho conhece-lhe os cantos desde 1 de abril de 1982. Confessa que “já tinha saudades dos clientes”, depois de explicar que na noite anterior quase não dormiu preocupado com os detalhes. Agora, com a esplanada ocupada sorri e declara o 5 de abril de 2021 como “um dos mais importantes” da vida profissional, ainda que lamente não poder dar “dois dedos de conversa aos clientes habituais, que também tinham saudades destes momentos que fazem a vida de um bairro”.

Do outro lado da estrada, no quiosque onde funciona a Hamburgueria da Parada, Sérgio Medeiros de Lima, 85 anos, Helena Lima, 81, e Belmira Santos, 83, sentavam-se juntos pela primeira vez este ano à mesa de um café. Parcos em consumo, não se pouparam às palavras nem às manifestações de saudade acumulada. Belmira Santos repetia com insistência: “Sabe muito bem estar aqui”. O casal amigo anuía com a cabeça, mas manifestava preocupação, nomeadamente com o comportamento da mesa do lado, onde outros três clientes conversavam sem máscara colocada. “É assim que as coisas acontecem e é por causa disso que podemos andar para trás”, alerta Sérgio Lima, ainda assim, confiante de que, desta vez, “vamos conseguir dar a volta a isto”.

À BEIRA-RIO

Junto ao Tejo fazia frio e, logo pela manhã, uma neblina impedia a visão magnífica da Ponte 25 de Abril a partir do Padrão dos Descobrimentos. Não foi razão que impedisse mais de uma dezena de pessoas de sentarem na esplanada do “À Margem”. Cafés, galões e torradas estiveram entre a grande maioria dos pedidos e serviram para harmonizar com conversa solta ou com a leitura do jornal. Pedro Vaz, o gerente do espaço, não largava o telefone com reservas sucessivas a caírem nas linhas estreitas da agenda de almoços, enquanto dava conta do otimismo que tem em relação a esta nova normalidade. Antes, dizia, “eram os turistas que enchiam a casa, agora são os lisboetas que recomeçam a apreciar a proximidade com o Tejo. “Não vamos voltar a confinar, até porque seria demolidor para a economia e para este género de negócios”, confessa de forma séria, ao mesmo tempo que muda de atitude e rejubila com a notícia de que hoje, 5 de abril, por coincidência, chegou também a autorização para aumentar a esplanada “e meter mais cinco mesas para sentar mais duas dezenas de clientes mais perto da água” sem que isso impeça a passagem de quem por ali caminha, corre ou pedala para manter a boa forma.

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