Prefiro Vintage

A experimentar

O mundo das preferências tem pouco a ver com o universo das ciências. Nada garante que isso seja mau, mas também nada assegura que quem assim pensa fique a salvo de todas as maledicências.

Desde o dia em que resolvi assumir aqui o que prefiro que tenho perfeita noção disso. Nada certifica que aquilo que parece seja exactamente aquilo que se conhece. 

Desde o dia em que comecei a beber Vinho do Porto que tenho consciência da imperfeita aparência da evidência científica.

Quase tudo nesta bebida desafia o paradoxo. Roçando a ortodoxia. Para dar um exemplo, apesar do nome porque o conhecem no mundo inteiro, e apesar de ser no Porto que ele apetece, não é neste território que ele amadurece.

Desde o dia em que me contaram que, no que respeita ao Vinho do Porto, quanto mais velho, melhor, que tenho a inconsciência cheia de frases feitas.

Quase nada do que bebi até hoje me desafia tanto como o Vinho do Porto. Roçando a heresia. Apesar da doutrina vigente, ousei avançar contra a corrente. De socalco em socalco, a uva que se cria e se colhe não se torna a melhor do mundo só quando envelhece.

Quando provei um Vintage pela primeira vez, apercebi-me logo dessa prova dos nove. Fiquei a saber que os novos também contam num campeonato tão duro como duriense.

Reza a história que foi o Vau Vintage 2000, da Sandeman, que me reconciliou com o melhor embaixador de Portugal no mundo. Conta a história do Vinho do Porto que o Vintage foi imaginado para quem ainda gosta mais de um bom vinho… do que de um bom Vinho do Porto. 

Desde o dia em que, como Confrade do Vinho do Porto, deixei de me sentir obrigado a dizer o que se diz, passando a dizer só o que penso, que digo dos Vintage em geral o que nunca digo do Vinho do Porto em particular


Manuel Serrão
Empresário

 

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