Grupo Parras contornou a crise pandémica e fechou 2020 com lucros nos vinhos

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O Grupo Parras, produtor de vinho sediado no Cadaval, fechou 2020 a faturar mais dois milhões de euros e a exportar mais face a 2019, anunciou hoje o seu administrador, apesar dos efeitos trazidos pela pandemia ao mercado.

“Tivemos um incremento ligeiro de dois milhões de euros nas vendas face a 2019, o que em ano de pandemia e face às expectativas foi um ano excelente”, afirmou à agência Lusa Luís Vieira, para quem o aumento da faturação foi mais contido do que seria sem a pandemia.

Dados os efeitos e os receios da crise pandémica, explicou, “o comprador que adquiria vinhos mais caros passou a comprar vinhos de gamas mais baixas”.

Com uma expectativa inicial de 47 milhões de euros para 2020, antes da pandemia, o grupo acabou por encerrar o ano com um volume de negócios de 45 milhões de euros.

As empresas do grupo suplantaram as quebras de vendas no canal Horeca, vocacionado para os setores da restauração e hotelaria, mais afetados pela crise pandémica, com as vendas para a grande distribuição, ainda que com redução das margens de lucro por via da redução de preços.

Metade do volume de negócios advém das exportações que, segundo o administrador, aumentaram e não foram afetadas pela pandemia, em contrapondo com a redução de vendas no mercado interno.

Inglaterra, Angola, Brasil, Estados Unidos da América, Canadá e China são seus principais mercados externos.

Apesar da pandemia, que inviabilizou a realização de feitas indispensáveis à procura de novos clientes, os vinhos entraram em mercados, como o Japão, Rússia e Bielorrússia.

Para Luís Vieira, a grande dificuldade e desafio trazidos pela pandemia foi a adaptação às regras sanitárias da covid-19 dentro das empresas, o que fez aumentar os custos com a aquisição de equipamentos de proteção individual e de testes de diagnóstico.

Eleito produtor do ano, o grupo investiu, em 2020, cinco milhões de euros, quatro dos quais na construção de uma nova adega no Alentejo.

“Era necessária para os mais de duzentos hectares de vinha que aí temos e para processar as nossas uvas, sem a qual não era possível, o que economicamente não era vantajoso”, justificou, acrescentando que o investimento já concluído vai permitir duplicar a produção de vinho no Alentejo e melhorar a sua qualidade.

Na região do Tejo, foram investidos um milhão de euros na requalificação da Adega da Gouxa, o que vai permitir triplicar aí a produção.

Com um plano de investimentos a seis anos concluído em 2020, só no Alentejo foram investidos 15 milhões de euros.

Para este ano, o grupo estima investir dois milhões de euros na construção de um armazém de logística em Alcobaça, crescer as exportações entre 10 e 20%, estando por isso a apostar no reforço da equipa e lançar a marca de vinho alentejana Herdade da Candeeira.

O grupo, que emprega uma centena de trabalhadores e possui uma área de vinha de 370 hectares espalhados pela Quinta do Gradil, Casa das Gaeiras (Lisboa) e Herdade da Candeeira (Alentejo), possui no mercado 150 marcas diferentes, entre vinhos verdes, vinhos regionais do Alentejo, Lisboa, Tejo, Dão e de Denominação de Origem Controlada de Óbidos e Douro.

O artigo foi publicado originalmente em Agroportal.

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