Daniel Serra: “A restauração não é um refúgio. Devia existir uma forma de criar barreiras à entrada no setor”

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Estado de Emergência é um ciclo de entrevistas rápidas a personalidades das áreas de turismo, hotelaria, restauração e animação em Portugal, sobre o presente e o futuro do sector, tendo em conta todas as alterações geradas pela pandemia de Covid-19.

Estado de Emergência é um ciclo de entrevistas rápidas a personalidades das áreas de turismo, hotelaria, restauração e animação em Portugal, sobre o presente e o futuro do sector, tendo em conta todas as alterações geradas pela pandemia de Covid-19. Hoje, Daniel Serra, presidente da PRO.VARAssociação Nacional de Restaurantes criada em 2014 para a promoção, inovação e defesa do sector da Restauração, fala das “muitas injustiças na forma encontrada para ajudar as empresas”, sublinha que, neste momento, “fornecedores e senhorios estão a ser os financiadores dos restaurantes”. Ainda assim, Daniel Serra revela otimismo quanto ao futuro: “Vamos precisar de empresas de restauração fortes, sólidas, capazes de ajudar a alavancar a economia”.

Estamos em Estado de Emergência, que provavelmente se vai prolongar até depois da Páscoa. O que representa para os restaurantes ficarem encerrados até essa data?
Daniel Serra: Mediante os indicadores que temos vindo a receber é otimista pensar que será só até à Páscoa. A pressão é muito grande relativamente a datas mas, mais do que abrir cedo, queremos abrir bem: Uma abertura segura e irreversível e não como no passado em que os restaurantes estiveram “fechados de porta aberta”. Não aceitamos a abertura até às 13h00, que não faz sentido. Apesar de assumirmos que o risco na restauração é moderado porque é um consumo organizado e com muitas regras, os empresários não podem estar de porta aberta, sem clientes e com custo elevados. Com take-away, a maioria está a pagar para trabalhar.

Do que tem apurado junto dos estabelecimentos, como têm conseguido sobreviver? Com recurso aos apoios do Estado?
A forma como o Governo organizou os apoios acabou por criar muitas injustiças e gerar grande confusão no setor, criando até concorrência desleal. Há casos de empresas mais pequenas que, só porque têm mais NIFs, vão buscar um valor muito superior em apoios. Outro aspeto são os tetos criados. O que estamos a pedir é que o Governo reforce os tetos de modo a ajudar empresas que perdem mais de 40%. A maioria das que estão nesta situação, de acordo com os dados que recolhemos, são empresas dependentes do Turismo. Por mais que abram as portas não têm capacidade para equilibrar as contas. Normalmente estão em zonas de grande pressão e sujeitas a rendas altíssimas. O apoio às rendas também é insuficiente porque só vai até 2 mil euros, quando a média em zonas turísticas é de 6 ou 7 mil. Propomos um teto semelhante ao encontrado para bares e discotecas, empresas encerradas por decreto. Nesta fase o Governo deve apoiar todos.

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