Quindins batoteiros

A experimentar

Acho que é notório o meu interesse por livros de cozinha. A rubrica “Diz-me o que lês, dir-te-ei o que comes”, que deu origem a uma categoria própria, aqui nas Receitas, e que dinamizo com o apoio da Livraria Bertrand, é disso prova. Ainda não perdi a esperança de um dia destes fazer um inventário à minha coleção, que já deve ter ultrapassado os duzentos exemplares. Enquanto não faço isso, sempre que tenho algum tempo, escolho de forma aleatória alguns para folhear e escolher receitas para engrossar a minha ‘to-do list’.

Nestes fins de semana de clausura, tem-me dado para pegar em alguns livros mais antigos. E por ‘antigos’ entenda-se ‘os meus primeiros livros de receitas’, que me foram oferecidos ainda na adolescência. Um deles é o egrégio Tesouro das Cozinheiras.

QUINDIM: DOCE BRASILEIRO DE ORIGEM PORTUGUESA

Ao folhear este clássico, que continua a ser o livro de cozinha mais vendido em Portugal, deparei-me com a receita de “Queijinhos de coco”, uma das poucas com honras de fotografia. Pareceram-me quindins, com a única diferença de que cada um levava uma cereja em calda no interior da massa. Um ponto vermelho a contrastar com o amarelo dado pelos ovos e pelas gemas.

Como nunca tinha feito quindins, apesar de gostar imenso deste doce – sobretudo daquela parte brilhante e gelatinosa! – e tinha bastantes ovos caseiros no frigorífico, resolvi testar a receita. Sem as cerejas, que não havia cá em casa.

AS NOSSAS BRISAS DO LIS ESTÃO NA ORIGEM DOS QUINDINS, SABIAM?

Já tinha reparado que o doce típico de Leiria, as Brisas do Lis, eram muito parecidas com os quindins, mas só agora descobri que foi mesmo aquela receita portuguesa, que leva amêndoa em vez de coco, a inspirar a versão brasileira. Pelo menos, é o que consta: a receita terá atravessado o Atlântico pelas mãos dos colonos portugueses. Ao contrário da amêndoa, o coco era um ingrediente barato e abundante em terras brasileiras e daí terá surgido a adaptação.

Se repararem, os meus quindins não têm uma parte gelatinosa muito proeminente. Isso deve-se ao facto de não os ter cozido em banho-maria, dentro de um tabuleiro com água. Cozi-os normalmente, com as formas pousadas na grelha do forno. A receita do Tesouro das Cozinheiras falava das duas opções e, preguiçosa como sou, escolhi a mais fácil! Por isso lhes dei o nome de quindins batoteiros 🙈

Curiosidade: em vez de bolinhos pequenos, pode fazer-se um grande, idealmente numa forma baixa, de chaminé. A este versão, os brasileiros chamam Quindão.

QUINDINS BATOTEIROS

Receita “Queijinhos de coco” do Tesouro das Cozinheiras

Para cerca de 12

INGREDIENTES

250 g de açúcar

125 g de coco ralado

3 ovos

3 gemas

1 colher de sopa generosa de manteiga amolecida

MÉTODO

Ligar o forno nos 170ºC.

Untar muito bem com manteiga 12 forminhas de queques e polvilhar com açúcar.

Numa taça, juntar todos os ingredientes, sem bater.

Dividir a massa pelas formas e levar ao forno durante cerca de 20 minutos – ir espreitando para não deixar cozinhar de menos, nem demasiado!

Em alternativa, levar a cozer as forminhas dentro de um tabuleiro, que se enche até metade das formas com água quente [neste caso já não são batoteiros!]

Retirar, deixar arrefecer um pouco, soltar a massa das paredes das formas com ajuda de uma faca pequena e desenformar diretamente para as forminhas de papel.

O artigo foi publicado originalmente em Lume Brando.

Últimas