Quinta do Gradil

A experimentar

Luis Vieira é um corredor de fundo. Quando há 20 anos adquiriu a Quinta do Gradil, no Cadaval, assumiu o desígnio de recuperar o prestígio de uma propriedade cujos primeiros escritos remontam a 1492, tendo o apogeu acontecido séculos adiante, ao estar na esfera do Marquês de Pombal. As ideias confidenciadas e os projetos que foram sendo concretizados têm tido, a pouco e pouco, reflexo inevitável na qualidade dos vinhos apresentados. Hoje, a quinta apresenta referências que merecem degustação atenta, ao mesmo tempo que Luis Vieira alcança um dos objetivos de base – distinguir o Gradil do restante universo Parras, um dos principais engarrafadores portugueses, presente em diferentes regiões.

Há marcos recentes particularmente importantes para percebermos melhor este trajeto. Desde logo a recuperação do palácio, um imponente edificado que se encontrava em avançado estado de degradação nos finais dos anos 90 do século passando, altura de aquisição da Quinta do Gradil por Luis Vieira. Em fase final de recuperação (apenas falta ultimar a cave de barricas), o palácio já está apto a acolher uma diversidade de eventos, sociais e empresariais. O interior é bastante amplo, o exterior manteve a traça original. Também a capela em honra de Santa Rita está recuperada, enquanto a loja de vinhos e o restaurante continuam de portas abertas. A par disso, a oferta de enoturismo passou a contemplar um conjunto significativo de programas, dentro e fora da propriedade, percebida e explorada que está a vantagem da localização próxima a um dos sopés da Serra de Montejunto.

Nos vinhos, Tiago Correia soma por ali três vindimas. O enólogo que durante alguns anos esteve ligado aos Villa Oeiras, em Carcavelos, expressa-se de uma forma mais abrangente na Quinta do Gradil, sempre com o apoio do consultor António Ventura.
A perceção de um patamar verdadeiramente diferente deu-se recentemente, aquando do lançamento do Ganita 2015, um vinho de homenagem a António Gomes Vieira, avô de Luis, e do Quinta do Gradil Maria do Carmo 2017, um branco de Sémillon (90%) e Alvarinho (10%), muito elegante, salino, untuoso e que nos obriga a sair de uma certa zona de conforto para percecionar o potencial de abordagens diferentes a um terroir de 120 hectares de vinha própria, a que juntam mais 12ha da exploração da Casa das Gaeiras (vinhos classificados na edição 359 da Revista de Vinhos).

As novidades passam entretanto pelo rebranding de imagem da gama, entregue ao ateliê de Rita Rivotti, que procura segmentar sete séculos de história por diferentes graus de complexidade e ainda uma linha mais experimentalista de vinificações – Saltimbancos.
Em busca de vinhos mais equilibrados, que mantenham uma boa acidez natural que lhes permita evoluir bem, a enologia está apostada em estagiar parte em barricas de maior dimensão, de 300 e 500 ltrs., de carvalho francês mas algumas com tampos de acácia, suavizando a evidência da madeira nos vinhos. “Queremos a madeira para compor, nunca para se sobrepor”, garante-nos Tiago Correia.

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