Boas experiências: Três vinhos que desafiam

A experimentar

Se “a experiência é a madre de todas as cousas”, como disse João de Barros, provem-se estes vinhos e aprendamos. A opinião do critico gastronómico da VISÃO Se7e, Manuel Gonçalves da Silva

Lou e Ca são marcas de dois vinhos singulares da Adega Monte Branco, em Estremoz, que resultam de experiências dos enólogos da casa: Luís Louro, que também é o produtor, cria o Lou e cede-lhe uma sílaba do seu apelido; Inês Capão faz outro tanto com o Ca (outras marcas de referência deste produtor são o Monte Branco, topo de gama, e o Alento, que tem várias gamas). O conceito dos vinhos Lou e Ca é o mesmo: ideias novas e plena liberdade aos enólogos nas suas escolhas. O objetivo também é comum: apresentar vinhos inovadores, diferentes, personalizados. E até nos rótulos se aproximam os dois vinhos, juntando as suas marcas no dissílabo LouCa, mas com um curioso recurso gráfico que permite distinguir um do outro: no vinho de Luís Louro destaca-se a sílaba Lou; no de Inês Capão sobressai o Ca.

Por se tratar de experiências dos dois enólogos a partir de ideias novas, que podem resultar, ou não, os vinhos Lou e Ca só saem quando as coisas correm mesmo bem a um e ao outro; têm periodicidade incerta; são sempre diferentes dos que os precederam; apresentam-se a par, a fim de os comparar e ver até onde a imaginação de Luís Louro e de Inês Capão os levou. Certo, também, é o interesse dos consumidores, em especial dos enófilos, naturalmente interessados em experiências novas e enriquecedoras. A primeira edição do Lou e do Ca foi na colheita de 2015, com dois tintos, e a segunda acaba de sair, com um tinto (Lou) e um branco (Ca) de 2017. Foram desafios para os enólogos e são-no, agora, para os apreciadores.

Entretanto, da Quinta do Convento de São Pedro das Águias, no Vale do Távora, chega um vinho tinto desenhado pelo enólogo Diogo Lopes para o enófilo de origem alemã Christoph Kranemann, que estabeleceu naquela magnífica propriedade duriense o projeto vitivinícola que há muito ambicionava. O ano foi de excelência, o enólogo tem provas dadas, apesar da sua juventude, e o vinho honra os pergaminhos da região e do seu autor.

Lou Regional AlentejanoTinto 2017
Elaborado com uvas das castas Alicante Bouschet e Trincadeira com estágio de 16 meses em barricas de carvalho francês novas e usadas (500 l). Impressiona pela cor violeta de enorme concentração, o aroma intenso, complexo e delicado com muito boas notas de frutos silvestres, e o paladar cheio, impressivo, com taninos bem presentes, mas finos, e acidez viva num conjunto harmonioso, misto de poder e de equilíbrio. €27,50

Continue a ler o artigo em Visão.

Últimas