Malassadas: o doce de Carnaval que sabe bem o ano inteiro

A experimentar

Antes de entrar na época magra da Quaresma, deixe-se tentar por este doce típico de Carnaval que nunca falta às mesas insulares para acalentar a folia da época.

Combustível para a folia de Carnaval, as Malassadas são doces típicos da época tanto na Madeira como nos Açores onde, além de integrarem a mesa, também se usam como ofertas à família e amigos. A origem da tradição perde-se no tempo, mas há referências óbvias que a ligam à cana-de-açúcar, na ilha da Madeira, e que por esta ligação fazem com que a receita seja ligeiramente diferente numa e noutra ilha. Quanto ao nome, não deixa grande margem para dúvidas: virá de uma derivação de mal assadas, numa alusão à textura cremosa do interior.

Parte do património gastronómico local, da Madeira terão sido transportadas também para a açoriana São Miguel. Das duas ilhas, viajaram ainda para outros destinos à boleia da emigração, marcando presença em vários pontos da América, de Massachussets ao Havai, e nas “vizinhas” Canárias.

Com ligeiras variações na receita, esta espécie de filhós adoça as festas do Entrudo com muito sabor, aproveitando a época gorda, antes de se entrar na jejum da Quaresma. Diz quem sabe que o grande segredo deste doce está na técnica de amassar. A receita, que leva ovos, açúcar, farinha, manteiga, raspa de limão e aguardente – nos Açores; farinha, ovos batidos, açúcar, leite, mel de cana e fermento de padeiro, na Madeira – deve amassar-se vigorosamente – técnica também apelidada de sovar – para depois se deixar a “levedar” durante cerca de duas horas. Depois, é fazer a forma, habitualmente generosa, de cada uma das Malassadas e, tal como acontece com as natalícias filhóses, fritar. No final, dependendo da ilha em que se finaliza a receita, são polvilhadas com açúcar e canela ou envolvidas em mel de cana.

Com o passar do tempo, outros produtos locais se adicionaram à receita original madeirense. No Funchal, as variações surgem nas versões de abóbora, batata-doce ou maracujá. Já este ano, quem não quer ou não pode sair de casa, desde que esteja na ilha, pode contar com as as Malassadas tradicionais da pastelaria A Confeitaria que as faz chegar ao conforto do lar. O preço de cada Malassada ronda €1. O envio custa €3.
Também a Pastelaria Penha d’Águia tem grande tradição na confecção deste doce. Ainda no Funchal, a recente Mallassada Boutique oferece uma opção diferente: a Malassada de maracujá.

Nos Açores, a pastelaria Bolos do Vale promete Malassadas a sair quentes e boas todas as quartas-feiras, a tempo de recolher para surripiar uma antes de as ofertar a amigos, amigas, comadres e compadres, como manda a tradição. Em São Miguel, de janeiro até ao dia de Carnaval, todas as quintas-feiras são dias de celebrar a amizade e os laços familiares. A tradição regional dita que o Dia dos Amigos, o das Amigas, o dos Compadres e das Comadres acompanhe sempre com uma oferenda deste doce que é presença certa à mesa.

Continue a ler o artigo em Boa Cama Boa Mesa.

Últimas