Vinhos naturais: way of life

A experimentar

Começando pelo princípio, sem rodeios nem meias medidas: vinhos naturais são coisa que não existe. Todos os vinhos sofrem qualquer tipo de manipulação, seja na vinha (que, aliás, se for deixada em estado selvagem, muito provavelmente nem produzirá uva e, certamente, uva de qualidade para vinificar), onde até os modos de produção biológico e biodinâmico implicam qualquer modelo de condução, granjeio e mobilização ou intervenção do solo nas entrelinhas; seja na adega, onde o processo de fermentação obriga à intervenção humana, por mínima que seja.

É, portanto, de vinhos de intervenção mínima ou reduzida que falamos quando o tema são os naturais, categoria onde cabem muitos perfis de vinhos diferentes mas possuem elementos comuns: uma certa filosofia de retorno às origens, de comunhão com a natureza e a sustentabilidade ambiental e, se quisermos até, alguma ‘freakness’.

O movimento dos naturais surgiu a partir de um nicho de produtores insatisfeitos com os rumos do uso desmedido da tecnologia na década de 80 e evoluiu para estar presente hoje nas melhores garrafeiras, cartas de restaurantes estrelados e atenção dos críticos nos dias de hoje. Os naturais vieram para ficar. Talvez alguns exageros tenham esticado demais a corda mas, sem dúvida, em qualquer movimento de contracultura aprendem-se e absorvem-se algumas lições, de ambos os lados da barricada.

Como bem resume o especialista Alexandre Lalas, da Revista de Vinhos e da Gula, “no início, o vinho era natural. Era muito próximo da definição inicial: mosto de uva fermentado. Não existia tecnologia nem aditivos químicos, nem adição de leveduras, vitaminas, enzimas, nem acidificações ou correções, controlos de temperatura, micro-oxigenação, extração a frio, taninos em pó, chips de madeira e outras tantas possibilidades enológicas dos tempos correntes. Era, na ocasião, apenas o reflexo da equação: ano+ clima + solo + meio ambiente + homem = vinho. Era natural”.

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