Os vinhos de “Boutique” de Henrique Cizeron

A experimentar

Há vinhos que se distinguem pela sua singularidade, por serem diferentes, pelo seu lado artesanal. São vinhos de produção escassa, vinhos de pormenor, que primam pelas suas características únicas – ou, pelo menos, que diferem do padrão dominante das regiões vitivinícolas a que pertencem. São vinhos de “boutique” que nos deixam a sua impressão digital, que nos ficam na memória, que nos despertam a curiosidade. E que, não raras vezes, nos surpreendem.

Os vinhos de Henrique Cizeron enquadram-se neste perfil, com destaque para o Cinética Loureiro e Arinto, um muito interessante vinho da região dos Vinhos Verdes – a estreia, aliás, de Henrique Cizeron na região – que não se limita a conjugar na “assemblage” duas das mais interessantes castas brancas portuguesas, no registo habitual que evidencia o seu carácter floral, cítrico, fresco e jovial. Apesar do preço muito acessível (PVP 11 euros), este exemplar dos Vinhos Verdes tem uma tonalidade dourada, nariz exótico, notas fumadas, perfil oxidativo (a que não é estranho o recurso parcimonioso a sulfuroso), boca com alguma amplitude (que se explica pela “batonnage” intensa ao longo de oito meses), um toque de especiarias que decorre, certamente, da fermentação em barricas de madeira usada. Ou seja, características “out of the box”, a tal singularidade que nos fica na memória.

Igualmente singular é o seu vinho branco do Douro, de que provámos a colheita 2017, feito com uvas de vinhas velhas com cerca de 90 anos localizadas em solos de xisto da aldeia de Soutelinho. Um branco que teve curtimenta de três dias em cuba de cimento antes de fermentar em barricas usadas, com “batonnage” moderada, a que se seguiu um estágio de 12 meses em barrica – e mais um ano em cuba antes do engarrafamento.

Ainda no Douro, destaque para um outro vinho que provámos nesta visita ao universo da Cizeron Wines – um lote de Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Vinhas Velhas, que resulta de pisa em lagar e estágio de 12 meses em barrica usada, mas que esteve a repousar na adega até ser lançado em 2018.

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