Exportações de pequenos frutos sobem 5,5% para 247 ME em 2020

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As exportações portuguesas de pequenos frutos, nomeadamente, framboesas, amoras, mirtilos e morangos, subiram 5,5% em valor em 2020 para 247 milhões de euros, mas o setor reclama mais apoios para segurar esta trajetória, apontou a Lusomorango.

“Entre janeiro e dezembro de 2020, as exportações de pequenos frutos nacionais – framboesas, amoras, mirtilos e morangos – cresceram 5,5% em valor face ao ano anterior, de acordo com os mais recentes números publicados pelo INE sobre o comércio internacional. As vendas ao exterior desta fileira atingiram 247 milhões de euros no ano passado (face a 234 milhões, em 2019), o que denota a resiliência do setor num período económico muito conturbado”, apontou, em comunicado, a organização de produtores Lusomorango.

Em termos de quantidade, as exportações de pequenos frutos atingiram as 39,3 mil toneladas, uma subida de 2% em comparação com o ano anterior.

Os pequenos frutos lideram assim as exportações agrícolas nacionais.

Por categoria, os mirtilos e as amoras foram as que registaram maiores crescimentos em valor, ao nível das exportações, com, respetivamente, mais 45% e 32%, enquanto os morangos recuaram 25%.

No ano passado, mais de metade das exportações de pequenos frutos destinaram-se à Holanda (32%), que representou 80 milhões de euros, Alemanha (20%), com 49 milhões de euros e Espanha (17%), que comprou 43 milhões de euros destes frutos a Portugal.

“Na anterior crise económica, o setor dos pequenos frutos já tinha demonstrado a sua importância enquanto pilar do setor agrícola nacional, que foi um dos grandes responsáveis pelo crescimento das exportações nacionais e, nesse sentido, o motor da recuperação económica. Menos de uma década depois, e para responder a circunstâncias completamente inesperadas, os pequenos frutos voltam a mostrar uma resiliência muito forte em contextos de crise”, considerou, em comunicado, o presidente do Conselho de Administração da organização de produtores Lusomorago.

Luís Pinheiro, ressalvou que o setor também foi afetado pela pandemia de covid-19, com o aumento dos custos de produção e de logística, vincando que a extensão do mecanismo europeu de retirada de produtos do mercado a este setor “permitiu fazer face às necessidades de escoamento da produção e quebra generalizada de vendas e preços”.

Este responsável vincou ainda que o pior pode ainda “não ter passado”, embora os resultados demonstrem a “perceção positiva” dos pequenos frutos portugueses no estrangeiro.

O presidente do Conselho de Administração da Lusomorango notou também que, na última década, tem sido visível o esforço de modernização do setor, permitindo uma utilização eficiente dos recursos naturais.

Por outro lado, os investimentos feitos pelos produtores, sobretudo na região do Sudoeste Alentejano, têm permitido a melhoria da gestão das culturas “em função do mínimo desperdício”.

No entanto, a trajetória de crescimento tem que ser acompanhada de condições, tomadas pelos decisores políticos, que garantam a resiliência do setor agrícola, em particular, dos pequenos frutos, “cujo crescimento das exportações, nos anos vindouros, pode estar em risco”, defendeu.

Para Luís Pinheiro, o processo de desertificação tem que ser “rapidamente travado” e o investimento na modernização de infraestruturas de rega, nomeadamente do perímetro de rega do Mira, “será crucial” para garantir que o setor possa continuar a produzir, gerar trabalho e fixar a população.

“Portugal agora mais do que nunca, necessita de uma agricultura altamente exportadora e moderna, que se mantenha como pilar fundamental da economia nacional e do exigente processo de recuperação que tem pela frente”, concluiu.

A Lusomorango conta, atualmente, com 41 associados e tem 65 milhões de euros de volume de negócios, exportando mais de 95% da sua produção.

O artigo foi publicado em Agroportal.

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