Argilla Wines: Vinhos de terra e terroir

A experimentar

Conheci os vinhos da família numa feira de produtores artesanais e, muitos deles, “naturais”, de Portugal e do mundo. Na ocasião, os Argilla destacaram-se dos demais, desde a esmerada apresentação dos rótulos e garrafas, e depois pelos vinhos em si. Trata-se de excelentes brancos e tintos, com o carácter vincado que é apanágio deste grupo alternativo de produtores, mas também pela precisa execução enológica em cada garrafa mostrada, o que não é tão habitual nestas feiras.

Imediatamente quis saber quem era o enólogo por detrás daquelas belas expressões de Portalegre, ainda que ostentassem algo a mais e único no estilo, e não fiquei surpreendido quando soube que havia um exímio técnico a manter toda aquela forte compleição ainda coesa e muito refinada: o impecável Nuno Mira do Ó.

Faltava então conhecer a família e o terroir dos vinhos Argilla. Em Lisboa marquei uma prova com Rita Tenreiro, filha de Paulo Tenreiro, e responsável pelo marketing e vendas da Herdade da Anta de Cima. Tudo que havia provado em pé naquela feira, num stand cheio e sem muitas condições de concentração, pude confirmar neste segundo encontro com os vinhos. Como é recorrente em vários produtores de primeira grandeza do Alentejo de hoje, dos pequenos aos maiores, dos novos aos tradicionais, os vinhos estão a aliar cada vez mais a estrutura e madureza típica da região com a frescura, menor aporte de madeira e mais elegância e mineralidade, algo que volto a sentir nos Argilla provados. E ainda com mais verve, precisão e drama do que a maioria.

Rita Tenreiro transmite muito bem a paixão e obstinação da família pelo “monte” e tudo o que dele extraem, num sistema integrado. A bela imagem dos vinhos também é motivo de orgulho para si, como idealizadora que foi.

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