Às tantas, tinha a despensa cheia de chiles, o frigorífico cheio de kimchi, a biblioteca cheia de livros com malaguetas. E sempre que comia picante e sentia suores frios nas pálpebras parecia que o dia se iluminava, como se estivesse sob o efeito de psicotrópicos.

Somos muitos assim, na verdade.

Em tempos, com o meu amigo Hugo Neves, director de arte da Time Out e grande carileiro, íamos ao Tentações de Goa e ficávamos a falar durante horas sobre o assunto. Suávamos das têmporas como Nadal sua do esterno e éramos felizes. A capsaicina deixava-me excitado como um submisso numa masmorra escura antes de ser açoitado por uma generala sueca.

A dada altura, pensei mesmo fazer um supper club sobre o tema. Tinha a coisa mais ou menos programada. O Hugo lembrou-se que o bilhete podia ser uma fita de cabeça, daquelas de ténis. E chegou mesmo a desenhar um logo para o evento. Eu fui pesquisando e cozinhando caris, da Etiópia à Tailândia, e lendo mais. Mas a ideia acabou por ser adiada e enterrada no longo e amargo calvário da pandemia.

Até agora.

Não podendo estar juntos, hoje em dia, podemos entrar no mundo fascinante da capsaicina através do Zoom. Nestes tempos de clausura e rotinas forçadas, o picante é, aliás, um poderoso suplemento de emoção e endorfinas naturais.

A malagueta tem o dom de transformar a comida e de nos transformar. Nenhum ingrediente consegue dar-nos um sabor tão original e cheio de nuances e, ao mesmo tempo, operar uma transformação imediata no corpo e no espírito.

É essa a proposta deste curso, que pretende ser, na verdade, um encontro de apaixonados por pimentos picantes.

Vamos pegar fogo à Covid.
Vamos pegar fogo ao Zoom.
Com gosto.

Juntem-se.

4 sessões
4 jantares picantes
6 preparações
Kit picante e fita anti-suor*
8 horas
65 Euros

Molhos. Caris. Salteados. Picles. Fermentados

*entregue em casa

Para quem é o curso.

Para toda a comunidade de foodies, gastrónomos e amantes da comida em geral. Serão bem-vindos os viciados em capsaicina, os iniciados e os curiosos. Mas não é preciso ter papilas de aço para fazer o curso. Vai haver provas para todos os níveis (incluindo a que coroará o Rei/Rainha da Malagueta) e vamos ter um programa de tomas gradual. A malagueta, se ingerida regularmente, torna-se rapidamente tolerada pelos receptores químicos da boca.

O que se aprende. 

Vamos entrar dentro do fruto. Saber de é que feito, como reage em situações diferentes. Como ele nos transforma, através da libertação de endorfinas e da aceleração do metabolismo. Vamos aprender a comprá-lo, conhecer os melhores produtores, os melhores molhos (nacionais e internacionais), as receitas mais especiais e os melhores livros da especialidade.

O que se come. 

Durante quatro dias, não tem de se preocupar com as refeições. Já com as fitas de ténis para estancar o suor na cabeça, vamos cozinhar e fazer o jantar, ao vivo e a cores, nos nossos ecrãs do computador. De caris indianos a salteados chineses, de maioneses a molhos picantes, picles e fermentados, vale tudo o que faz bater o coração e deixar o corpo a arder.