“l’art de la table” num estranho conjunto de “naturezas mortas”

A experimentar

Um intrigante conjunto de quatro naturezas mortas, do século XVIII, idas a leilão na Cabral Moncada em 2017, conseguiu levantar um interesse real dos colecionadores e dos investidores, surpreendendo aqueles e excitando estes.

Óleos da Escola Portuguesa a representar uma diversidade gastronómica com abrangência pouco habitual, quer pelas categorias em que se dividem quer pelos elementos que as compõem.

Vale a pena olhá-los devagar, também com a ajuda da cábula que no verso de um deles nos ajuda a descrevê-los, e perceber que a informação sobre a diversidade gastronómica supera o usual tema da caça e que mesmo este é enriquecido com a presença invulgar de condimentos e especiarias (nesta categoria não deixa de ser interessante a catalogação de espécies separada por dois dos quadros).

A categoria “frutos” recorrente tornou-se incapaz de albergar o tema representado ao incluir doçaria (notar a presença das queijadas de Cintra, conforme sublinha o manuscrito no verso da tela).

A “pesca”, salgada ou de leito de rio, é transcendida pela rica e de todo invulgar coleção de concheados. Não tenho memória visual de outra representação similar..

Fica o registo para que possamos crescer em atenção na pintura como fonte de estudo da cultura gastronómica, do seu conteúdo e da sua expressão em cada época.

Em cada dita natureza morta há muita informação viva, que nos enriquece muito além do seu desafio pantagruélico. Deste, de Pantagruel, falaremos no próximo comentário.


Manuel Guerra Pinheiro
Advogado

 

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